Breaking Bad - Conclusão

Sabemos desde o início do seriado que há algo de novo, muito novo, na televisão. Através da figura de um pacato professor de química que descobre ter câncer e que será pai novamente enxergamos aos poucos a relativação da moral quando Walter White decide produzir drogas usando seu conhecimento e sua recém necessidade de zelar pelo futuro de sua família. Através dessa história inicial somos levados ao mundo do crime e como ele pode ser bem menos glamoroso do que imaginamos, mas também bem menos assustador do que nos contam. O mais fascinante durante todo o ciclo de ascensão e decadência de um ser humano qualquer é que percebemos como a força motriz que move o homem não necessariamente precisa passar pela aprovação do bem moral vigente. Isso não existe na cabeça dos que fazem o que admiramos. Apenas os fins são capazes de justificar seus mais loucos atos. Fins esses que começaram de forma nobre.

Conclusão

Sabemos desde o início do seriado que há algo de novo, muito novo, na televisão. Através da figura de um pacato professor de química que descobre ter câncer e que será pai novamente enxergamos aos poucos a relativação da moral quando Walter White decide produzir drogas usando seu conhecimento e sua recém necessidade de zelar pelo futuro de sua família. Através dessa história inicial somos levados ao mundo do crime e como ele pode ser bem menos glamoroso do que imaginamos, mas também bem menos assustador do que nos contam. O mais fascinante durante todo o ciclo de ascensão e decadência de um ser humano qualquer é que percebemos como a força motriz que move o homem não necessariamente precisa passar pela aprovação do bem moral vigente. Isso não existe na cabeça dos que fazem o que admiramos. Apenas os fins são capazes de justificar seus mais loucos atos. Fins esses que começaram de forma nobre.

Mas não precisa continuar desse jeito.

E é aí que reside o pequeno brilhantismo de Breaking Bad, que ao abrir esse guia moral com a qual estamos acostumados a viver revela que não há nada dentro, e que estávamos na verdade olhando para nós mesmos. Pelo menos naqueles momentos onde tudo faz sentido e nosso coração bate quente, aquele momento em que nos sentimos vivos. Todo o resto pode ser ignorado.

Essa trajetória em torno dessa descoberta está cheia de simbolismos escondidos ou exacerbados em cores e ângulos de câmera inusitados. O seriado respira tanto Cinema que parece ter nascido no lugar errado. O respeito à inteligência do espectador médio de televisão é tão ofensivo quanto Walter White vender drogas com a ajuda de seu ex-aluno. Não há diálogos expositivos. Ninguém expressa seus sentimentos da forma descarada de uma novela global. No entanto, eles estão ali. Nas roupas de Saul, no olhar de Jesse, no andar de Mike, nas rugas de Walter. É o poder do audioVisual desde o seu início mudo.

E esse é o instrumento da nossa passagem pelas ações vis e cruéis do nosso protagonista. A direção de arte fascina e entretém com sua estilização cartunesca (ou expressionista). A ponto de nos esquecermos da história, das ações, dos fatos. Walter White é mal, ou Heisenberg? Não importa. Que se dane a história. Quero assistir à Arte, e ela é o meu fim. Que justifica qualquer meio. Mesmo que pessoas inocentes tenham que morrer pelo caminho, é por um bem maior. Não é assim que pensa o governo e as pessoas que o defendem?

★★★★★ Wanderley Caloni, 2016-07-16 imdb