Brooklyn

Aroma de série de TV. Acontecimentos espaçados em episódios, convenientemente movendo a história. Apesar disso, este é um filme que consegue dialogar o tema da imigração com uma sutileza ímpar ao lidar com o arco narrativo de sua heroína de maneira sóbria.

A heroína decide sair de sua terra natal, Irlanda, e ir tentar a sorte na América, mais especificamente em Nova Iorque, mais especificamente no bairro que dá título ao filme e que possui cada vez mais irlandeses.

A saudade não só da família, mas das raízes, é sentida por Eilis (Saoirse Ronan) do fundo de seus lindos olhos. Não se pode dizer que a linda atriz não tente, de todas as formas, expressar seus sentimentos. E consegue. Eles são simples, vindos de uma pessoa simples, que busca apenas fazer o certo, mas que arriscou um pouco além do que imaginava poder.

O aparecimento do jovem italiano Laurenzio (Christian de la Cortina) dá o tom certo ao dromance de dois seres tímidos, semelhantes, vivendo o sonho americano. Olhe para os olhares dos dois pombinhos, a forma com que seus ombros se mexem, a maneira com que cada fala é colocada. É um romance autêntico, nascido com pouco brilhantismo do roteiro, mas com a autenticidade necessária para a história.

Podem acusar Brooklyn de ser uma mera novela bem feita, o que de fato é, lembra, cheira. Mas, ainda assim, suas sutilezas vão contra essa teoria. Dessa forma, não é nada claro os acontecimentos futuros de sua família, e por mais conveniente que sejam os acontecimentos depois que ela volta a cruzar o mar, eles podem acontecer na vida real. Acontecem o tempo todo; apenas não achamos honesto que aconteça em um filme.

Mas o filme tem muito mais a ver com os caminhos tomados por Eilis do que a verossimilhança dos acontecimentos. O jogo de cores usado no filme está longe de ser perfeito, mas ao menos pontua a perda gradativa do verde de Eilis como a maneira de se prender – ou tentar – à sua nova vida na América.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-07-31 imdb