Cada Um Na Sua Casa

“Home” não tem coragem suficiente para elevar todas suas ideias à terceira potência, mas pelo menos evita ser engraçadinho demais e consegue colocar uma história em um patamar digno. Levando a atual tendência de questionar a autoridade e de se preocupar com o próximo, conhecemos uma raça alienígena que segue um líder (Steve Martin), nos mesmos moldes do rei Julian de Madagascar, e se descaracteriza a partir de um guia informal de como devem se comportar (leia-se “socialismo”), independente do que realmente achem.

Exceto por Oh (Jim Parsons, o Sheldon de The Big Bang Theory), que tenta continuamente sem sucesso conseguir amigos. Especializados em fugir de uma outra raça que a persegue, resolvem ir para a Terra, onde desabitam todas as cidades e enviam os humanos para uma colônia (leia-se “cativeiro”) onde todos podem ser “felizes”. Enquanto isso, os Boovs povoam a Terra e cumprem todos suas funções da maneira mais funcional possível. Todos possuem apenas um minuto de folga por dia.

Oh então encontra a pequena Tip (Rihanna), uma garota que acidentalmente não foi capturada e que agora busca reencontrar sua mãe. Por detalhes que não são relevantes e você não vai querer saber, ambos precisam ir para um lugar e juntos aprendem as diferenças de onde vieram, além de entender que alguma coisa não é verdade só porque alguém disse que é. Também aprendem (principalmente Oh) que arriscar é importante.

Tedioso com a entrada de inúmeras músicas (provavelmente muitas das próprias dubladoras, Rihanna e Jennifer Lopez), o forte do filme mesmo é a direção, que torna as sequências de ação tensas, grandiosas e encabeçadas por músicas techno (essas, sim, positivas) que variam de acordo com o clima do momento. Ainda assim em um formato genérico, pelo menos a relação de amizade que cresce entre Oh e Tip é algo a se notar, pois se mantém acima de todos os defeitos em tela. A mudança de sentimentos de Oh através das cores (todos os Boovs têm essa característica) também é um ponto forte.

Dessa forma, “Cada Um na Sua Casa” é uma experiência mista, que pode confundir e desanimar alguns, mas que em seu núcleo possui boas ideias que são implementadas “apesar de”. Por isso, nos mesmos moldes de “Boxtrolls”, embora não com o mesmo refinamento técnico/artístico, podemos colocá-lo no hall das animações que confiam em sua história do começo ao fim, o que hoje em dia, com pinguins e minios por todos os lados, tem se tornado um evento raro em produções menores.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2015-09-25 imdb