Capitão América 2 O Soldado Invernal

Chris Evans, ou Capitão América, seria o personagem mais carismático, mais querido e um líder natural dos Vingadores da Marvel (o que, já sabemos, não se concretiza). Tony Stark (Robert Downey Jr.) lhe tira uma parcela grande de popularidade, mas isso não é culpa dos atores nem dos personagens (originais), mas da nossa era de cinismo e sarcasmo, onde não é o mais bonzinho, o mais patriótico e muito menos o mais correto que irá se sobressair. O politicamente incorreto, ainda que maltratado pela esquerda, continua livre, leve e solto. Curiosamente, tornar esse herói organicamente anacrônico foi uma das poucas virtudes do longa original.

Porém, insistir em um herói carismático e ao mesmo tempo distante em seus pensamentos — um quase blasé — faz de “Capitão América 2: O Soldado Invernal” um filme de ação empolgante, com boas cenas, ótimos efeitos e muito pouco carisma. Os heróis do filme — não apenas um, mas três — ficam quase como um pano de fundo para que a adrenalina faça sua parte. Eles possuem uma ou outra história em seu passado que os unem e os movem contra o “mal”. Se é que se pode chamar de mal um inimigo que tenta se tornar ideologicamente uma versão “Gangue do Magneto” (X-Men), mas empalidece tanto quanto as intenções terroristas de Mandarim no igualmente antipático Homem de Ferro 3.

Justiça seja feita ao diretores Anthony e Joe Russo, que respiram esse ar geek nova geração inspirando a velha — e ambos terem dirigido Community pode dizer muito sobre os questionamentos filosóficos de Steve Rogers sobre seu passado, além de um momento WTF em que vemos um dos personagens (nem digo ator) da série em uma brevíssima cena, e, além disso, parece tentar seguir os passos dos filmes antigos da série James Bond (incluindo o “e o Capitão América voltará em…”. A dupla de diretores aqui tenta fazer o que dá, mas um roteiro totalmente engessado escrito igualmente por uma dupla (a que escreveu o segundo Thor) parece querer agradar a todos ao mesmo tempo — fãs e amantes de efeitos visuais na telona — e não conseguem se desvencilhar da previsibilidade tosca que tem acompanhado os projetos da Marvel.

No entanto, mesmo que alguns maniqueísmos previsíveis acabem funcionando até mais do que seria esperado — como a perseguição a Nick Fury — eles têm um claro limite, e realizar a cena da morte de um personagem de maneira tão banal é quase como colocar um aviso luminoso no centro da tela avisando para a possibilidade de talvez tudo aquilo não se concretizar. Sabe como é, não queremos que você chore à toa.

E se o plot twist a respeito do tal Soldado Invernal seja um dos melhores ganchos da história — e algo que só ocorre na terceira parte do filme — ele é subaproveitado. Tanto que há uma cena pós-crédito (não a primeira, a segunda) que parece que não assistiu ao filme.

Bom, eu assisti, mas não lembro de muita coisa. Só que Capitão América estará de volta em Os Diamantes Têm Mais de 100 Anos.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2014-04-27 imdb