Capote

Espero que eu tenha entendido mal esse filme. Ele é bem feito, tem a atuação enigmática de Philip Seymour Hoffman, que foi um ícone de atuação até sua prematura morte. Porém, ele possui uma história e uma argumentação falhas demais. Transportando um assassinato bruto de uma família inteira para as ondas do destino e colocando em foco a história de vida de um dos assassinos, o roteiro de Dan Futterman baseado no romance de Gerald Clarke que busca exaltar a sensibilidade do antes escritor de ficção Truman Capote no escritor norte-americano de maior influência do século passado. Pior: ele transfere ainda a moral duvidosa para o próprio escritor, sendo que estamos falando de assassinos cuja biografia está sendo coletada com uma curiosidade inabalável de Capote que durou cerca de cinco anos.

Acompanhamos essa meia-década e a sua rotina de ir visitar o preso depois do julgamento e todas as apelações para evitar a pena declarada: morte. Mas não é um filme humanitário, não é um filme conservador. É um filme sobre o processo de biografia em si e sobre o cansaço de Capote durante esse processo. No entanto, ao final da experiência, acabamos sem saber como é o tal livro, como é o tal Capote, como é o tal assassino. Tudo que sabemos é como a família foi executada e como a voz de Capote inibia as pessoas em volta pela sua forma afetada.

Uma voz, aliás, muito bem executada por Phiip Seymour Hoffman.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-03-13 imdb