Caprice: Amor à Francesa

Uma comédia do Woody Allen, se Woody Allen fosse francês e não tivesse crises depressivas expostas em seus filmes. Aqui o lance é mais romântico, mas com conteúdo e inteligência. O filme trabalha a questão dos diversos tipos de amor, algo muito em voga hoje em dia, em que o conceito de família só é estático para burocratas estatais com crises de abstinência em práticas anais.

A história é pautada no absurdo, e se torna uma comédia de situação muito fácil, graças a inúmeras coincidências que colocam os personagens da maneira que eles precisam estar para acontecer algo engraçado. No entanto, esses personagens são divertidos, bem-humorados, com estereótipos que combinam. Clément é um professor comum apaixonado por uma atriz que acaba namorando. No meio há uma jovenzinha apaixonada por Clément, e a partir daí caímos no velho triângulo amoroso francês. Só que não é isso que importa, mas a forma de abordar a relação entre os três. Se visto como tabu pela grande maioria das pessoas, aqui há algo de humano que ultrapassa alguns limites do aceitável pelas regras convencionais matrimoniais, e é isso que torna o filme atraente.

Com ótimas atuações, e uma direção de arte e fotografia que evocam o romance pela vida em si, e não apenas pelas pessoas, Romance à Francesa é um passeio agradabilíssimo pela mente de Emmanuel Mouret, que cria uma comédia romântica divertida sem dispensar a inteligência, abordando temas de “poliamor” com sutileza e em uma maneira comercialmente viável (pelo menos na França).

Não há muitos limites para as coincidências nesse filme, assim como geralmente não há nos filmes de Woody Allen. Porém, felizmente aqui a questão maior não é a mortalidade ou o absurdo da vida, mas a tentativa contagiante de conseguir aliar os diferentes sentimentos que sentimos por diferentes pessoas sem soar tão dramático, insolúvel ou clichê.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2016-09-30 imdb