Carga Explosiva: o Legado

Não acompanho a série Carga Explosiva, mas é possível ver em “O Legado” alguns elementos semelhantes com “Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer” e “Indiana Jones e a Última Cruzada”, e este elemento é: a relação pai e filho do protagonista.

Sim, isso é “exploitation” dos sentimentos, e isso funciona pessimamente em Die Hard. No entanto, é o pilar para A Última Cruzada e aqui não faz tão feio. A história é interessante. Pai está se aposentando, filho está no auge de sua carreira. Ambos realizam atividades escusas, mas nenhum deles costuma falar muito sobre o assunto. No meio dos dois surge Anna, uma estrangeira que foi vendida como prostituta para uma máfia russa que opera na Riviera Francesa, e agora, quinze anos depois, coloca em ação um plano ousado e, como em muitos filmes de ação, completamente furado.

No entanto, isso não é motivos para descartar completamente “O Legado”. Ele funciona bem como filme de ação, possui uns cortes sinceros nas lutas, além dos charmosos Ed Skrein e Ray Stevenson cercados de beldades do Leste Europeu (pelo menos essa é a ideia). Ninguém ali atua o suficiente para se sobressair, mas todas, exceto a oriental, consegue ser competente o suficiente para não estragar a experiência. Até o vilão fajuto de Radivoje Bukvic, que ao menos consegue expressar sua frustração em estar sendo enganado por uma de suas meninas.

Com reviravoltas nada originais, e sequências de ação menos ainda, a direção de Camille Delamarre é burocrática e empurra o filme em direção à mediocridade a todo momento (talvez temendo que ele fique ruim demais). Há uma cena em que um avião e um carro estão na mesma pista, e a sensação de velocidade do carro é interessante, mas a tensão por trás da cena quase que não aparece. Frustrante.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-09-04 imdb