Chega de Saudade

A primeira impressão ao assistir Chega de Saudade, projeto de Laíz Bodanzky (As Melhores Coisas do Mundo), é perceber todo o apuro técnico em conseguir desenvolver o que é mais difícil no Cinema em alguns ambientes: a naturalidade. Nesse sentido, o filme (não apenas literalmente, mas metaforicamente) “dá um baile”: desde a coreografia ao domínio de ritmo e montagem, ao acompanharmos seu desenvolvimento é possível se envolver com os seus personagens sem perceber que, afinal de contas, existe uma infinidade de cortes cinematográficos (necessários) que vão do topo aos pés dessas pessoas, que parecem deslizar de fato em um salão apertado e barulhento.

Não tão competente é o destino que o roteiro escrito a quatro mãos e com palpite de pelo menos onze pessoas, que parte do brega para o artificial e manipulador sem necessidade alguma. É o fazer emocionar sem motivo de, pois lá pelo meio do filme já estamos em transe, acompanhando todas as sub-histórias compenetrados por termos o privilégio de conseguir segui-las em qualquer lugar, seja na mesa reservada para a mulher da alta sociedade ou para os cantinhos mais obscuros do estabelecimento, onde ficam os fios da fiação elétrica. Tudo tem um sentido de ser e tudo soa fazer sentido.

Desnecessário dizer que a direção/montagem não depende da conclusão da história. Essa sim, deslumbra do começo ao fim, em uma dança que não me cansaria de ver se fosse por mais duas horas.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2012-11-04 imdb