Churchill

Churchill, assim como Dama de Ferro, trata os líderes políticos da história da Inglaterra no mínimo de forma ambígua, e no pior dos casos com um escárnio que beira esquizofrenia. E curiosamente ambos os filmes são ruins. No caso de Dame de Ferro ao menos ainda temos mais acontecimentos ocorrendo. No caso de Churchill temos apenas diálogos e momentos farofa de baixa produção, feito para televisão, onde quase nada é relevante. Não há muitos momentos gloriosos neste filme, apesar de seus produtores fazerem de tudo para isso acontecer. Três crianças passam casualmente do lado do carro do primeiro-ministro, que para. As crianças fazem um sinal para ele, em reverência. E ele responde. Churchill fuma muito charuto, e neste filme ele fuma bastante charuto. Churchill grunhe. E Brian Cox grunhe também. Churchill é considerado um dos maiores ingleses de todos os tempos. E o filme trata sua trilha sonora assim como Lincoln: como se qualquer ação do sujeito fosse honrosa, icônica. E o mais estranho é que estamos falando do momento mais vulnerável de sua carreira, às vésperas do Dia D, onde ninguém dava atenção para um político veterano de guerra. Seu melhor amigo o avisa: “use uniforme, traz mais respeito”. Ele não usa. E é veementemente ignorado pelos militares. Não pela falta de uniforme. O roteiro é confuso e mistura tudo em uma salada onde nada faz muito sentido ou se encaixa. A única coisa que o filme tenta encaixar são momentos solenes. Vazios de alma. Uma pena quase tão grande quanto todos aqueles milhares de jovens sacrificados na Normandia.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2017-09-28 imdb