Cinquenta Tons de Liberdade

Jul 29, 2018

Cinquenta Tons de Liberdade é um grande vídeo de casamento feito para um casal rico que tenta criar algum drama em suas vidas vazias e desinteressantes. Para isso se tornar minimamente assistível para nós, reles mortais e espectadores boquiabertos pelo fiapo de vida das pessoas ricas, foi necessário lotar o vídeo com mansões, jatos, iates, carrões, guarda-costas, alguns acontecimentos levemente empolgantes, uma trama sem sentido e com um clímax enjoativo, e a luxúria que parece tornar a sala vermelha do casal Grey a coisa mais sexy e controversa que existe no Cinema da atualidade. Esses americanos, aparentemente, nunca viram um filme europeu na vida.

Dirigido mais uma vez por James Foley, baseado em mais um dos livros da “saga”, este filme possui momentos verdadeiramente embaraçosos na carreira de Foley, acostumado a filmar políticos em Washington com sua sisudez indecente em House of Cards. Aqui a indecência é não haver história nenhuma para contar, e todas as cenas parecerem uma propaganda de férias luxuosas. No começo o casal Grey se casa, juram aquelas baboseiras que todos juram e segue-se pessoas indo de um lugar a outro com carros e seus motoristas, jatinhos particulares, além de pelo menos três mansões diferentes, se eu contei certo. Todo esse estresse de ter que se locomover durante o filme inteiro merece um pouco de champanhe e sexo, devidamente sanitizados em mesinhas e salas vermelhas.

As ideias dentro do filme nunca são exploradas, mas apenas descritas. Dessa forma nunca se cria tensão alguma, mudança nenhuma. Eles decidem se mudar para uma casa que será construída por uma arquiteta gostosa que dá em cima do bilionário que a estudante sem graça interpretada pela Dakota Johnson pescou. Essa é uma cena tensa porque ela precisa tomar as rédeas de ser uma esposa e manter seu marido longe das biscates. Fim de cena. Ah, eles vão mudar para a nova casa, mas nunca é mencionado nada sobre como será a sala vermelha. Detalhes irrelevantes em uma série que diz ser justamente sobre sadomasoquismo (a não ser que a experiência sado seja mesmo acompanhar um pós-casamento de rico; daí estamos de acordo).

Mas pulei a lua de mel. Como pude? Simples: pensei que havia ido para os comerciais. Nele uma agência de viagens apresenta um casal se divertindo em um passeio luxuoso por Paris, ilhas gregas e mais alguns lugares que deve aparecer nas ofertas no final da propaganda e… não, é filme mesmo. Sabe por que não sentimos ser um filme? Por que nunca houve identificação do espectador com esses dois. Eles são tão comunzinhos que chega a ser ridículo que existam seis horas de filme para o casal tão sem graça que torna Bella e Edward da “saga” Crepúsculo até que uma aventura simpática.

Aqui a única coisa que lembra a descerebrada da Bella é a Sra. Grey indo sozinha tomar conta de um sequestro, mesmo sabendo que a família Grey conta com guarda-costas bem armados e uma equipe de segurança pronta para agir em qualquer um dos cantos de Seattle. É de tirar o fôlego como os novo-ricos podem ser estúpidos.

E é claro que vai ter gravidez. Ou você pensou que todo aquele sexo poderia ser saudável para sempre?

Imagens e créditos no IMDB.
Wanderley Caloni, 2018-07-29. Fifty Shades Freed. EUA, 2018. Escrito por Niall Leonard baseado no 'romance' de E.L. James. Dirigido por James Foley, meu filho, que está a fazer por aqui. Com Dakota Johnson, Jamie Dornan, Eric Johnson.