Clown

Quando Eli Roth (O Albergue) está envolvido, seja como diretor ou, no caso, produtor e ator, pode esperar cenas de violência gráfica de muito mal gosto. Mas como gosto é algo que não se discute, talvez ver o coração de uma criança ser atirado em uma televisão seja a sua praia. Nesse caso, bem-vindo ao parque de diversões doentio da mente de alguém obcecado em chocar e, se sobrar tempo, tentar contar uma história.

E história existe. Ela é boa, se você ignorar os clichês. Conta uma provável lenda (ahã) em que a origem dos palhaços é demoníaca; ele se alimenta de cinco crianças: uma criança por mês no inverno (?). A roupa desse suposto demônio foi encontrada por um pai (Roth) disposto a se vestir de palhaço para agradar seu filho. Ela estava guardada em um baú, é claro. E depois da festa ele não consegui mais tirar a roupa, é claro.

Acompanhar o desenvolvimento dessa história é nutrir nossa curiosidade mórbida. Vemos a situação piorar a cada passo, e pessoas que são más (ou julgadas más) serão mortas o processo, e as “puras” serão poupadas, embora corram grande risco. No fundo, não há personagens: são todos estereótipos. Inclusive um menino irritante, que tem fotos irritantes espalhados por sua casa, tem colegas jogando video-game online que fazem questão de descrever o quão babaca ele é apenas para em seguida ser a vítima de nossos julgamentos mais primitivos de justiça.

Os efeitos de maquiagem do palhaço são marcantes, e é marcante que um filme decida matar crianças e um cachorro (embora de maneira sutil para uns, e demonizando outros). Porém, mais marcante ainda é essa gana de separar o bem contra o mal. Afinal de contas, crianças chatas merecem morrer. Mas não o filho da gente.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-02-29. Clown. Clown (USA, 2014). Dirigido por Jon Watts. Escrito por Christopher Ford, Jon Watts. Com Peter Stormare, Eli Roth, Laura Allen, Elizabeth Whitmere, Christian Distefano, Andy Powers, John MacDonald, Chuck Shamata, Sarah Scheffer. imdb