Clown

Quando Eli Roth (O Albergue) está envolvido, seja como diretor ou, no caso, produtor e ator, pode esperar cenas de violência gráfica de muito mal gosto. Mas como gosto é algo que não se discute, talvez ver o coração de uma criança ser atirado em uma televisão seja a sua praia. Nesse caso, bem-vindo ao parque de diversões doentio da mente de alguém obcecado em chocar e, se sobrar tempo, tentar contar uma história.

E história existe. Ela é boa, se você ignorar os clichês. Conta uma provável lenda (ahã) em que a origem dos palhaços é demoníaca; ele se alimenta de cinco crianças: uma criança por mês no inverno (?). A roupa desse suposto demônio foi encontrada por um pai (Roth) disposto a se vestir de palhaço para agradar seu filho. Ela estava guardada em um baú, é claro. E depois da festa ele não consegui mais tirar a roupa, é claro.

Acompanhar o desenvolvimento dessa história é nutrir nossa curiosidade mórbida. Vemos a situação piorar a cada passo, e pessoas que são más (ou julgadas más) serão mortas o processo, e as “puras” serão poupadas, embora corram grande risco. No fundo, não há personagens: são todos estereótipos. Inclusive um menino irritante, que tem fotos irritantes espalhados por sua casa, tem colegas jogando video-game online que fazem questão de descrever o quão babaca ele é apenas para em seguida ser a vítima de nossos julgamentos mais primitivos de justiça.

Os efeitos de maquiagem do palhaço são marcantes, e é marcante que um filme decida matar crianças e um cachorro (embora de maneira sutil para uns, e demonizando outros). Porém, mais marcante ainda é essa gana de separar o bem contra o mal. Afinal de contas, crianças chatas merecem morrer. Mas não o filho da gente.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-02-29 imdb