Club Sandwich

Club Sandwich é um filme mexicano dirigido e escrito pelo ainda não muito conhecido cineasta Fernando Eimbcke (dirigiu vários curtas e este longa mais um outro). Se depender, porém, de suas construções visuais, seus simbolismos e seu ritmo certeiro, é provável que ouçamos falar mais dele no futuro. Não é qualquer um que consegue pegar um filme de ritmo lento e conectá-lo através de uma narrativa que flui por sua história majoritariamente visual. Aqui diálogo, sons e uma trilha sonora inexistente contribuem marginalmente para uma obra que dedica boa parte do seu tempo em ensinar seus espectador a ler os seus sinais.

Girando em torno da relação mãe/filho e um possível amor proibido (ou apenas uma fase da infância/adolescência), só conhecemos a terceira parte da história, ou melhor dizendo, a terceira personagem, quase na metade do filme. O que é impressionante, porém, é como até isso soa natural no roteiro. Antes de inserir mais complexidade nesse processo de descobrimento de nuanças, há um tempo exato para respirarmos e refletirmos a respeito. Talvez a palavra-chave desse filme seja essa mesma: reflexão. E visual. Através dos enquadramentos, do tempo em tela de cada cena, e dos movimentos dos personagens pelo cenário, conseguimos descobrir muito mais o que está acontecendo do que se houvesse diversos diálogos expositivos estragando a experiência.

E ao mesmo tempo podemos dizer que os símbolos em torno da piscina e a praia, do ventilador e do ar-condicionado, do beijo e do mosquito que pica, tornam Club Sandwich um símbolo desse próprio rito da puberdade. Essas mudanças acontecem bem lentamente, um sinal a cada dia, semana, mês, ano. Quando vemos, porém, as vidas das pessoas se transformam, as relações não são as mesmas. É lindo que um filme consiga transmitir essa passagem de tempo economicamente dentro de uma hora e meia e três personagens.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2015-04-08 imdb