Com 007 Só Se Vive Duas Vezes

Só se vive duas vezes tem aquela grandiosidade das aventuras do agente 007 no formato clássico que todos lembram, com um ambiente fantástico demais para ser verdade, mas uma trama com pontas e mistérios o suficiente para ficarmos entretidos por boa parte do tempo. Mais acelerado que seus antecessores, a iminência de uma guerra nuclear entre EUA e URSS causada por uma bizarra interferência na corrida espacial é o que causa a primeira “morte” de James Bond, o que dá nome ao filme e possui um plot replicado no recente Skyfalk, mas que aqui adquire um tom mais solene e… fúnebre!

A rapidez do filme se contrapõe à leve e inspirada música-tema, entre as minhas favoritas pelo seu refrão característico e memorável. Logo que termina a abertura-tema partimos para uma verdadeira agitação em torno de diversos cenários do Japão, seus traços culturais e, claro: uma série de lindas e misteriosas Bond Girls asiáticas, mas com destaques abslutos para Akiko Wakabayashi e Mie Hama, que fazem os papéis respectivos de Aki e Kissy.

Toda grandiosidade em torno da missão do agente britânico logo se explica ao descobrirmos que o chefão da SPECTRO está por trás da abdução dos foguetes russos e americanos. A série Austin Powers foi inteiramente baseada no vilão Ernst Blofeld, interpretado de maneira icônica por Donald Pleasence, e esse fascínio pelo personagem é inteiramente justificado: sua versão megalomaníaca do mal, caracterizado pelos seus traços calculistas e de certa forma cômicos são a alavanca necessária para uma série que se pauta em uma visão fantasiosa do espião: o que investiga e luta usando suas artimanhas tecnológicas.

O Cinema merecia um herói como esse. Depois de “You Only Live Twice” esse mito se solidifica e se mantém por décadas a fio.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2012-11-28 imdb