Como Ser Solteira

Nov 17, 2016

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É cada vez melhor a surpresa com relação a comédias românticas (ou apenas comédias) protagonizadas por mulheres. O universo feminino independente do masculino estava escondido por gerações, mas hoje, no formato de uma sociedade que cada vez mais reconhece o direito da mulher de se divertir tanto quanto os homens, está a cada dia causando no Cinema resultados positivos, da mesma forma com que o universo masculino muitas vezes é representado (vide o último filme de Richard Linklater, “Jovens, Loucos e Mais Rebeldes”) sem ressalvas pelo machismo e a quem isso possa doer. Ele existe. Assim como mulheres que transam por 100% de prazer e 0% de comprometimento.

E para temperar estes filmes, a figura de Rebel Wilson é sempre bem-vinda. Ela é uma coadjuvante de luxo que consegue através de seu carisma e (quase sempre) ótimas tiradas tornar “Como Ser Solteira” um filme engraçado e dinâmico, evitando cair no clichê do drama feminino em busca de significado em sua vida.

E por falar em sair de clichês, este filme roteirizado por quatro pessoas, apesar de confuso e não conseguir dar tempo suficiente para todas suas histórias e personagens, convence por sua tentativa de mostrar como o mantra do “dever ser” da sociedade pode ser prejudicial para qualquer pessoa. A necessidade da protagonista interpretada por Dakota Johnson (“Cinquenta Tons de Cinza”) de viver uma vida de solteira antes de tomar a “grande decisão” de se casar com seu primeiro namorado é louvável, mas ignora que indivíduos são diferentes, além de que eles podem mudar.

Da mesma forma a personagem irritantemente carismática (e neurótica) de Leslie Mann (“O Virgem de 40 Anos”) subverte o clichê da mãe solteira que se dedicou por mais tempo que devia à sua vida profissional. E o que dizer da sempre divertida Alice Brie (“Community”), que faz o papel da mulher que nunca se encaixa em um relacionamento e cuja profissão de narradora de histórias para crianças inverte de maneira hilária seu futuro como a tia solitária e falsamente delicada?

Através da direção segura de Christian Ditter somos levados a diferentes enquetes que se juntam e se entrelaçam em uma espécie de “Simplesmente Amor” para solteiros e enrolados. Não se sabe ao bem a moral da história, mas se sabe que o vigor com que Ditter avança sobre a história, competentemente editada por Tia Nolan, consegue fazer com que as divertidas atuações do elenco se tornem ainda mais inesquecíveis.

E isso se tratando de personagens que beiram o estereótipo. No entanto, há em seu background história o suficiente para torná-las reais, e além disso, uma direção de arte digna de comédias de personagens em Nova Iorque. Há cores exageradas de um lado, “apês” minimalistas de outro, e ricos inesperados de outro. Não há muita credibilidade, mas quem se importa com isso quando está se divertindo?

Esqueça a previsibilidade do velho enlatado ComRom. Em Como Ser Solteira há criatividade demais na criação e desenvolvimento de seus personagens para ficar se martirizando com a velha história do casal que se odeia mas se ama. Prefira a volúvel Rebel Wilson e suas tiradas de duas palavras (“lunch time!”).

Wanderley Caloni, 2016-11-17. Como Ser Solteira. How to Be Single (USA, 2016). Dirigido por Christian Ditter. Escrito por Abby Kohn, Marc Silverstein, Dana Fox, Liz Tuccillo. Com Dakota Johnson (Alice), Rebel Wilson (Robin), Leslie Mann (Meg), Damon Wayans Jr. (David), Anders Holm (Tom), Alison Brie (Lucy), Nicholas Braun (Josh), Jake Lacy (Ken), Jason Mantzoukas (George). IMDB.