Conduzindo Miss Daisy

Um filme que envelheceu bem, mas que continua enigmático em alguns sentidos (ele é, de fato, racista?). Em outros, se reforça ainda mais, como é o caso da belíssima trilha sonora, composta pelo rival de temas de John Williams, Hans Zimmer, e das interpretações de Morgam Freeman e Jessica Tandy.

Freeman estava em plena forma, e o seu Hoke Colburn possui momentos inesquecíveis de tão tenros, como o momento em que ele aprende a ler o nome de uma pessoa em um jazigo e — o meu favorito — quando ele conclui que ter alguém brigando por ele é algo “lindo”. Já Jessica Tandy faz por merecer seu Oscar de atriz principal (dois anos depois ainda seria indicada por Tomates Verdes Fritos), se entregando à degradação do tempo de sua avarenta e desconfiada Miss Daisy com uma verossimilhança e poesia tocantes. A relação entre os dois progride com um ritmo tão sincero que é irresistível não se deixar levar pela passagem do tempo.

O que nos leva à cena final, que fecha um arco iniciado décadas atrás e que é conduzido a cada passo com precisão por Bruce Beresford em um estilo que lembra um pouco a mesma virtude observada em Forrest Gump (só que de Robert Zemeckis). O envelhecimento dos personagens pode ser criticado como pouco natural, mas o comportamento dessas pessoas no decorrer das eras — onde a posição do negro na sociedade americana foi se estabelecendo — é inquestionavelmente mérito de atuação desse afiado elenco.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2013-07-11 imdb