Cosmos: Uma Odisséia do Espaço-Tempo

Sep 25, 2014

Imagens

Esse é um remake atualizado da série homônima dos anos 80 apresentada por Carl Sagan, um astrônomo famoso na época (até hoje, na verdade) e que ficou famoso para mim quando assisti (e li) o clássico absoluto de ficção científica Contato. Essa versão do programa, com visual e conteúdo atualizados, possui como apresentador também um “pop-star” da ciência: Neil deGrasse Tyson, um atrofísico renomado que curiosamente era fã e chegou a visitar Sagan ainda bem jovem. Sagan indiretamente o influenciou a se tornar o cientista que ele é hoje. Descobrimos isso no primeiro episódio em uma sequência particularmente tocante, pois também descobrimos como eram altos os valores humanos do atrônomo e como ser bom com as pessoas pode mudar uma vida.

E é sobre isso basicamente o que a série fala: o que é ser um cientista e como funciona a ciência na cabeça dos homens e mulheres que anseiam a verdade. A cada episódio somos transportados através da Nave da Imaginação – que, assim como a cabine do Dr. Who, vai para qualquer lugar do espaço-tempo. Para onde ela vai? Explorar a natureza, o mundo onde vivemos, os mundos possíveis “lá fora”, a formação do universo, das estrelas, do tempo e espaço e de nós mesmos. Explica como funcionam regras básicas de física até teorias complexas que mudaram nossa perceção da realidade radicalmente, como a gravidade de Isaac Newton, a relatividade de Albert Einstein e a evolução de Charles Darwin.

No entanto, Cosmos vai além dos grandes nomes e tenta mostrar ao leigo que existem muito mais cientistas desconhecidos do público geral e que colaboraram imensamente com a ciência e o bem estar humano do que poderíamos imaginar, em circustâncias muitas vezes desanimadoras. A maioria deles sequer era conhecido por ser cientista, que é uma nomenclatura relativamente nova e que não tem relação com títulos acadêmicos, mas com a maneira de pensar. Através das histórias do passado remoto de nosso planeta também aprendemos as melhores e mais impactantes aulas de humildade que você terá em toda sua vida. Porém, com isso também nos entrega uma visão abrangente e engrandecedora da vida, soando ironicamente antagônica ao que prega a maioria dos dogmas religiosos.

E com isso chegamos sobre a parte mais controversa desse novo roteiro de Cosmos: o ataque às religiões, o alvo (natural) de críticas ao programa. No entanto, para deixar isso claro, preciso primeiro dividir os conceitos de fé e religião: é o que você acredita, religião é o que dizem para você acreditar. Em nenhum momento o apresentador Neil deGrasse Tyson ataca a fé propriamente dita, seja do homem comum ou até de clérigos da igreja. Na verdade é exatamente o oposto: ele demonstra como a fé é o que move a maioria das grandes descobertas, pois sem essa centelha inicial de esperança (além da curiosidade) a ciência nunca avançaria em busca de mais respostas. Cosmos ataca sim a religião, mas nenhuma em específico, nem sua existência, mas a sua consequência: fechar a mente das pessoas com respostas prontas sem sequer olhar em volta. E mais importante: das crianças, todas potenciais cientistas. Nesse sentido é completamente justificável que a série tente enfaticamente tirar essa pedra do caminho das ainda jovens mentes (ou até as não tão jovens).

Aliás, que bom seria se todos nós tivéssemos esse espírito crítico e aventureiro da busca por mais conhecimento. Até porque, como vimos em determinado episódio, nunca se sabe de onde pode surgir o próximo grande cientista que irá desvendar mais um mistério do Cosmos.

Wanderley Caloni, 2014-09-25. Cosmos: Uma Odisséia do Espaço-Tempo. Cosmos: A Spacetime Odyssey (USA, 2014). Dirigido por Brannon Braga, Ann Druyan, Bill Pope. Escrito por Ann Druyan, Carl Sagan, Steven Soter. Com Neil deGrasse Tyson. IMDB.