Cowspiracy: The Sustainability Secret

Se você pensou “esse é mais um daqueles documentários sobre conspirações em torno de algo polêmico como deixar de comer carne”, parabéns. Você está 50% certo. Porém, se você também pensou que esse pode ser um filme que faz pensar em pelo menos alguma coisa a respeito de sustentabilidade, você já acertou mais da metade do filme.

Dirigido pela dupla de novatos Kip Andersen e Keegan Kuhn, o filme entrega no começo um caminhão de números, estatísticas e proporções da relação com o que os seres humanos consomem de alimento de origem animal e o quanto consomem por causa disso de terras férteis, destruindo florestas e produzindo gases responsáveis pelo efeito estufa. Tudo isso em uma escala muito maior que todos os meios de transporte que usam queima de combustível fóssil. Surpreso? Espere até ver que o documentarista procurou diversas organizações ambientalistas e descobriu que eles não poderiam respondê-lo ou sequer atendê-lo (Greenpeace) a respeito do uso indiscriminado da agropecuária.

Formando uma coletânea de opiniões de diferentes pessoas orbitando o assunto sobre o que fazer, durante um longo processo em que finalmente o autor se dá conta que o mundo ambientalista não é mais tão sincero quanto ele acreditava na infância, quando assistiu o documentário de Al Gore, Cowspiracy obviamente exagera no seu tom dramático, e isso diminui sua eficácia. No entanto, suas informações, se corretas, são úteis para qualquer ser humano que repense a todo momento o que poderia estar fazendo para tornar um mundo um lugar menos propenso a caminhar para um fim próximo.

Essas opiniões geralmente divergem entre si, mas todas acreditam que proibir, taxar e etc seria a solução. Menos quando o filme encontra dados realmente relevantes a respeito de quanto do custo de produção de carne é subsidiada pelos governos, e a quantidade massiva de lobby que existe na política para que isso continue como está. Isso sem contar o número anormal de assassinatos de ativistas em lugares menos desenvolvidos como o Brasil. Se há um pouco de libertarianismo nesse filme, ele fica por conta de uns 10 minutos em algum lugar da história.

Com tantos problemas envolvendo não apenas instituições feitas para proteger o ecossistema do planeta, mas também produtores alternativos de alimento, o filme tenta terminar com uma mensagem de esperança apontando para o modo de vida vegano. Pelo menos seus argumentos são honestos, e isso é uma coisa. Porém, radicalizar de repente acaba por criar uma sugestão de mudança de comportamento que para a maioria dos espectadores irá soar radical demais. Infelizmente, é aí que muitos irão parar de se importar.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-12-17 imdb