Dark

Jan 30, 2018

Imagens

Mais uma produção enlatada da Netflix, mas dessa vez as pessoas falam alemão. É um conto alemão, em uma cidadezinha no interior da Alemanha, com muitos jovens em um colégio e uma fotografia sombria. Um prefácio anuncia que acontecimentos fantásticos irão ocorrer (Stranger Things feelings). Esses acontecimentos irão mexer com nossa noção do tempo. E de fato mexem: ao final do primeiro episódio de 50 minutos a sensação é ter visto um filme de três horas onde nada acontece.

Dark é uma produção que tem por objetivo copiar alguns formatos já consagrados nas séries atuais de um mistério que será solucionado no final, e que depende de cliff hangers por todos os lados. A história é de uns garotos desaparecidos, um recentemente e o outro 30 anos atrás, e a série parece demorar esses mesmos 30 anos para finalmente mostrar um acontecimento fantástico: o garoto de 30 anos atrás parece ter viajado no tempo, para o futuro, justamente quando um outro garoto desaparece.

Temos nesse pacote um suicídio mal explicado com uma carta com instruções de leitura em data e hora exatas, um adultério, um trio amoroso entre os jovens e basicamente é só isso. Tudo está distribuído entre os personagens e nenhum deles parece minimamente interessante. Mas essa fotografia é sinistra, e essa trilha sonora consegue arrancar alguns arrepios. O problema é que ainda não sabemos por quê.

A estrutura do piloto de Dark nos demonstra que a série não tem a menor pressa em desenvolver sua história. Ela provavelmente irá nos enrolar por mais 10 horas e ainda não teremos muito o que contar. Claro, posso estar errado, mas a julgar pelo roteiro inicial, há poucos indícios de que algo muito relevante pode acontecer. Há falhas básicas no roteiro pra começar. Esta é uma cidade minúscula aparentemente, feita para manter uma usina nuclear. Mas há um hotel (em uma cidade com usina nuclear) cuja função é ser turístico. E ele está vazio teoricamente porque há 14 dias um garoto desapareceu. Todos aqueles turistas que planejaram suas férias ficaram sabendo do garoto e cancelaram suas reservas.

Além disso, a trama envolvendo a família pricipal não convence. Há um suicídio e uma relação extra-conjugal da viúva e a mãe (é isso mesmo?) que foi expulsa da família e detém uma carta do filho que ela abre religiosamente conforme pedido no envelope. Nenhum desses elementos chama a atenção porque não há nada que nos leve a pensar nessas pessoas. Elas ainda são descartáveis, e os acontecimentos são esquecíveis.

Dark não se esforça nenhum momento em ganhar a atenção do seu espectador, exceto pela ótima fotografia e uma trilha sonora de arrepiar. Mas eu já comentei isso pela terceira vez. Teremos alguma coisa a mais para contar no futuro ou no passado?

Wanderley Caloni, 2018-01-30. Dark. Alemanha, 2017. Criado por Baran bo Odar, Jantje Friese. Com Oliver Masucci, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel. IMDB.