Deu a Louca nos Nazis

Sep 25, 2015

Imagens

Uma comédia, ou suposta comédia, sobre nazistas que fogem para a Lua no final da guerra e vivem lá planejando um ataque à Terra, até que dois astronautas, sessenta anos depois, voltam a pisar em solo lunar e um deles se torna cobaia para experimentos de um cientista maluco nazista. Infelizmente esse rapaz é negro.

Sim, essas são as premissas surreais de Deu a Louca nos Nazis, o trabalho gêmeo aquele ano (2012) de “Nazistas no Centro da Terra”. Mas que par para uma noite pipoca após discutir no jantar sobre Segunda Guerra!

Mas nem tudo é perdido, há elementos curiosos que meio que compensam a experiência de ver nazistas invadindo a Terra (e se seu sonho é ver nazistas invadindo a Terra, dê-se por satisfeito). O design de produção, por exemplo, é um deles. Com naves que lembram ou discos voadores ou são réplicas dos dirigíveis à época (imitando a realidade alternativa em “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”), além da própria sala de aula onde aparentemente a única jovem e bela da comunidade nazista, Dr. Paige Morgan (Dominique Swain), dá aulas a crianças nascidas na Luz. Ela apresenta um “curta” de Chaplin enaltecendo o Füher, quando na verdade é apenas um pedaço do longa O Grande Ditador (que zoa Hitler de ponta a ponta).

E por falar em zoar Hitler, a cena em que a assistente dA presidente dos EUA (aham) imita a mítica cena do bigodudo no bunker em “A Queda” é desnecessária, incompreensível e idiota. Aliás, a figura da presidente é de uma líder “carismática” em um mundo futurista onde ela fica exaustivamente correndo em uma esteira dentro de seu escritório (imagino Frank Underwood fazendo isso, mas em seu caiaque), além de concluirmos pelos cartazes de sua campanha de reeleição ser um plágio da campanha de sucesso de Obama em sua primeira eleição que ela faz parte de um partido dos Democratas que mudou novamente de lado (que surpresa!) e agora precisa ser popular com base não apenas em medidas populistas (Obamacare) mas também em medidas extremas: uma guerra. Mas antes disso, há uma passagem particularmente inspirada, onde o uso da propaganda nazista encanta a presidente.

E a tal guerra é espacial, no melhor estilo “réplica de Star Wars”, porque na verdade Darth Vader e seu império sempre foi uma metáfora para o nazismo. Com boas ideias, como o ataque de meteoritos, e más ideias, como todas as nações relevantes terem sua arma secreta, a batalha é confusa e apesar dos “efeitos”, tediosa.

Por fim, encabeçado por um vilão cuja expressão nunca muda, além de ter um modelo como astronauta, “Deu A Louca Nos Nazis” já deixa bem claro que não é para ser levado a sério, mas ainda assim ensaia uma crítica política – quase necessária – a essa mania de grandeza dos chefes de estado de passar por cima de seus cidadãos unicamente pelo poder. E se isso reflete não apenas em nazistas “lunáticos”, mas também em uma Casa Branca não tão distante do presente, não podemos descartar o filme como um besteirol completo.

Wanderley Caloni, 2015-09-25. Deu a Louca nos Nazis. Iron Sky (Finland, 2012). Dirigido por Timo Vuorensola. Escrito por Jarmo Puskala, Johanna Sinisalo, Michael Kalesniko, Timo Vuorensola. Com Julia Dietze, Christopher Kirby, Götz Otto, Udo Kier, Peta Sergeant, Stephanie Paul, Tilo Prückner, Michael Cullen, Kym Jackson. IMDB.