Dexter - Sétima Temporada

Dexter Morgan é um ser humano buscando seu lugar no mundo. O fato dele ser um sociopata e um serial killer é o que torna sua história mais… profunda. No entanto, fora isso, somos como ele, procurando se encaixar em um mundo que muitas vezes não faz sentido.

Como quando sua irmã se apaixona por você.

Ou quando sua vítima se torna sua namorada.

Ou quando sabemos que não sentimos emoções, mas mesmo assim sentimos a necessidade de estar com determinadas pessoas e protegê-las do mal.

E por falar em coisas sem sentido, fiquei muito satisfeito ao descobrir no início da temporada que a ideia estúpida da irmã apaixonada havia sido abandonada, pelo menos como tema central. E foi uma boa saída, pois não ignora os sentimentos de Debra, mas não deixa eles virem à tona de forma a atrapalhar ideias muito mais interessantes na temporada.

Como, por exemplo, a necessidade de Debra de reprimir o desejo assassino de seu irmão e todo o contexto velado sobre homossexualidade que isso geral. Velado, sim, mas não tanto. Afinal de contas, o melhor vilão da temporada é gay, um personagem desempenhado de maneira charmosa por Ray Stevenson e que tem uma motivação dramática que é um prato cheio nos diálogos inspiradíssimos com Dexter. É digno de nota a ironia contida em Isaak ser um assassino frio e temer que sua sexualidade seja descoberta por sua Irmandade e ponha tudo a perder.

E se Stevenson consegue roubar a cena sempre que aparece, Michael C. Hall traz novas nuanças de um personagem que vem sendo estudado há 60 horas, tornando Dexter paradoxalmente o personagem mais humano de toda a trama. Claro que os personagens secundários nunca tiveram muita chance em seus sub-dramas, mas até aqui suas histórias são menos simplistas e conseguem com pouco tempo de tela dar suporte aos temas principais.

Mesmo assim os primeiros episódios de Dexter S07 vem cambaleando, tentando se acertar com o passado primoroso que se perdeu na quarta temporada. O que o faz acima da média não é roteiro nem direção, mas a “queima de cartucho” de finalmente assistirmos a irmã descobrindo seu heroi de infância é um monstro que bate de frente com seus princípios de defensora da lei.

Por mais que a forma de contar a história seja desajeitada, novelística, seu conteúdo colabora imensamente para nossa admiração.

Dito isto, o quarto episódio é o retorno ao eixo da série que a mantém acima da média: ótimos diálogos, um roteiro que liga as pontas e utiliza um tema para avançar no estudo de personagem, e momentos memoráveis do nosso assassino favorito.

Ver Debra se sentindo feliz com a morte de um serial killer que sairia impune por conta dos furos da lei é o espectador respirando aliviado junto de Dexter.

A partir daí paramos de assistir à novela Dexter (temporadas 5 e 6) e voltamos às histórias que se intensificam e ganham novos contornos a cada episódio.

É impressionante como acertaram tanto em tão pouco tempo, onde até o novo interesse amoroso de Dexter, em vez de virar mais uma (a quarta!), permite ao espectador descobrir novas realidades e maneiras de Dexter encarar seu ser sombrio, além de pensar em algo que nunca tinha lhe ocorrido em sua vida: um futuro.

Por fim, Dexter 7 se beneficia como conjunto por um roteiro bem amarrado com uma abordagem necessariamente realista. Com isso ganha momentos inesquecíveis na série e diálogos igualmente memoráveis, o que faz esquecer não apenas a sexta temporada capenga como a medíocre quinta. Possui de quebra uma rima no final simplesmente imperdível.

Voltamos para o nível da quarta de uma vez. Uma senhora reabilitação!

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2014-11-09 imdb