Duro de Matar Um Bom Dia para Morrer

Mar 6, 2013

Imagens

Digirido pelo medíocre John Moore (Max Payne) e escrito pelo problemático Skip Woods (X-Men Origens: Wolwerine), o novo filme da série Die Hard parece uma mistura de estilos que mais confunde do que inova. Há a trilha de espionagem claramente inspirada em 007 e Missão Impossível. Há os cortes, movimentos de câmera e zooms frenéticos da série Identidade Bourne. Há, sim, perseguições e explosões dignas da série original, mas que não desempenham qualquer função em uma história sem reviravoltas (foras as mais patéticas) e sem tensão (ou alguém duvida em algum momento que a dupla principal não vai se safar dos bandidos histéricos?).

De maneira curiosa, o filme nos apresenta ao filho de John McLaine (Bruce Willis), o “profissional” Jack McClane (Jai Courtney), além de tentar aqui e ali formar a composição clássica da série: “estou de férias e não quero confusão, só curtir com meus filhos”. O problema é que em nenhum momento isso funciona, pois McLaine parece disposto desde o primeiro momento a criar confusão (ou pelo menos o fraco roteiro o força a isso), e a participação de sua filha apresentada já adulta no filme anterior é periférica e apenas introduz a “trama”.

E a “trama” é algo que parece ter sido escrito no verso de um guardanapo e mantido ali até a pós-produção: um preso político precisa ser protegido para um julgamento de cartas marcadas, mas uma força especial da CIA pretende resgatá-lo e obter um suposto dossiê que envolveria a rede corrupta da justiça russa e seu oponente direto. Jack McClane pertende a essa força e John McClane pertence ao imprevisto. Ambos conversam e agem lado a lado, mas não há química de parceiros nem de pai e filho.

Não satisfeitos em criar um filme de ação menor apenas utilizando o personagem de Bruce Willis como gancho de uma série que mereceria um certo respeito por iniciar o gênero, ainda somos obrigados a engolir conceitos completamente inverossímeis a respeito de radiação, urânio e russos. A ironia é que uma produção que gasta horrores para protagonizar a destruição em massa de uma frota de veículos não se envergonhe de apresentar uma máscara que mal tapa os ouvidos como proteção contra radiação. Continuando a gafe, aparentemente existe um gás que serve como escudo instantâneo para seus efeitos. (Aposto que os japoneses matariam para obter esse gás.)

Por fim, a arrogância ensaiada no início e citada no diálogo de um dos bandidos russos a respeito aos poucos se assemelha a um exercício de metalinguagem, pois John Moore insiste em inserir um encontro familiar final que beira o clichê (e termina como um) que ainda aposta em uma trilha grandiosa digna dos filmes de grandes aventuras e provações dos personagens.

Com certeza esse filme deve estar em algum lugar na sala de montagem, mas ficou irreconhecível na sala de projeção.

Wanderley Caloni, 2013-03-06. Duro de Matar Um Bom Dia para Morrer. A Good Day to Die Hard (USA, 2013). Dirigido por John Moore. Escrito por Skip Woods, Roderick Thorp. Com Bruce Willis, Jai Courtney, Sebastian Koch, Mary Elizabeth Winstead, Yuliya Snigir, Radivoje Bukvic, Cole Hauser, Amaury Nolasco, Sergey Kolesnikov. IMDB.