Duro de Matar Um Bom Dia para Morrer

Digirido pelo medíocre John Moore (Max Payne) e escrito pelo problemático Skip Woods (X-Men Origens: Wolwerine), o novo filme da série Die Hard parece uma mistura de estilos que mais confunde do que inova. Há a trilha de espionagem claramente inspirada em 007 e Missão Impossível. Há os cortes, movimentos de câmera e zooms frenéticos da série Identidade Bourne. Há, sim, perseguições e explosões dignas da série original, mas que não desempenham qualquer função em uma história sem reviravoltas (foras as mais patéticas) e sem tensão (ou alguém duvida em algum momento que a dupla principal não vai se safar dos bandidos histéricos?).

De maneira curiosa, o filme nos apresenta ao filho de John McLaine (Bruce Willis), o “profissional” Jack McClane (Jai Courtney), além de tentar aqui e ali formar a composição clássica da série: “estou de férias e não quero confusão, só curtir com meus filhos”. O problema é que em nenhum momento isso funciona, pois McLaine parece disposto desde o primeiro momento a criar confusão (ou pelo menos o fraco roteiro o força a isso), e a participação de sua filha apresentada já adulta no filme anterior é periférica e apenas introduz a “trama”.

E a “trama” é algo que parece ter sido escrito no verso de um guardanapo e mantido ali até a pós-produção: um preso político precisa ser protegido para um julgamento de cartas marcadas, mas uma força especial da CIA pretende resgatá-lo e obter um suposto dossiê que envolveria a rede corrupta da justiça russa e seu oponente direto. Jack McClane pertende a essa força e John McClane pertence ao imprevisto. Ambos conversam e agem lado a lado, mas não há química de parceiros nem de pai e filho.

Não satisfeitos em criar um filme de ação menor apenas utilizando o personagem de Bruce Willis como gancho de uma série que mereceria um certo respeito por iniciar o gênero, ainda somos obrigados a engolir conceitos completamente inverossímeis a respeito de radiação, urânio e russos. A ironia é que uma produção que gasta horrores para protagonizar a destruição em massa de uma frota de veículos não se envergonhe de apresentar uma máscara que mal tapa os ouvidos como proteção contra radiação. Continuando a gafe, aparentemente existe um gás que serve como escudo instantâneo para seus efeitos. (Aposto que os japoneses matariam para obter esse gás.)

Por fim, a arrogância ensaiada no início e citada no diálogo de um dos bandidos russos a respeito aos poucos se assemelha a um exercício de metalinguagem, pois John Moore insiste em inserir um encontro familiar final que beira o clichê (e termina como um) que ainda aposta em uma trilha grandiosa digna dos filmes de grandes aventuras e provações dos personagens.

Com certeza esse filme deve estar em algum lugar na sala de montagem, mas ficou irreconhecível na sala de projeção.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2013-03-06 imdb