E Aí... Comeu?

Esse é o simpático terceiro filme de Felipe Joffily (Muita Calma Nessa Hora) que explora a opinião dos homens sobre o universo feminino. Nunca nos permitindo entender “o outro lado da história”, participamos na maioria das vezes dos diálogos de Fernando (Bruno Mazzeo), Honório (Marcos Palmeira) e Fonsinho (Emilio Orciollo Neto) como se estivéssemos sentados juntos com ele na mesa de bar, servidos sempre por uma deliciosa gelada pelo garçom mais comedor (ou falador) do universo: Seu Jorge (Seu Jorge).

Aliás, por falar em “comer”, os rapazes, apesar de boa pinta, passam por dificuldades amorosas e sexuais que acabam tomando conta da conversa despretensiosa jogada fora religiosamente toda noite. Com situações devidamente heterogêneas, os três sempre parecem ter motivos para beber mais um copo de cerveja. Fernando busca compreender os motivos do fracasso do seu casamento com a bela Vitória (Tainá Müller) enquanto é assediado por Gabi (Laura Neiva), uma ninfeta de 17 anos (mas quase 18). Honório é casado com Leila (Dira Paes), uma mulher linda e decidida (se é que sair sozinha todas as noites é a definição de decidida) cujo distanciamento de sua mulher o faz pensar que está sendo traído. Fonsinho é um escritor fracassado que não consegue um relacionamento significativo exceto por Alana (Juliana Schalsh), uma charmosa garota de programa que costuma frequentar.

Não dá pra ignorar o imenso carisma que o trio formado por Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emilio Orciollo consegue com o público, deslanchando piadas de cunho sexual em um ritmo frenético, quase não dando tempo o suficiente para desenvolver seus personagens. O problema fica por conta do potencial desperdiçado pela atmosfera contemporânea e que dialoga com o público como ninguém. Baseado em peça homônima escrita por Marcelo Rubens Paiva, que também assina o roteiro, “E aí, Comeu?” representa as virtudes do brasileiríssimo costume do desabafo/relaxamento no final do dia em um bar de esquina com os amigos, formato esse que infelizmente não consegue encontrar sua contraparte cinematográfica, dando a impressão de estarmos quase sempre presos nas mesmas conversas despretensiosas, que divertem, é verdade, mas que impõem um desleixo em sua narrativa que acaba por desmerecer sua história e seus divertidos mas simplórios personagens.

Dessa forma, é compreensível que o espectador se divirta a maior parte do tempo, mas que ao mesmo tempo não sinta qualquer conflito na tela. Esse é o motivo para que seu desfecho soe artificial, pois destoa de todo o resto. Não que ele seja ruim, mas note: não esperamos por um desfecho. Quando ele vem, é como se as noites mágicas em torno do bar se desfaçam em convenções narrativas vazias. É quase como que fazer o espectador torcer para que nada dê certo, e que voltemos a nos encontrar no boteco da esquina para jogar piada fora.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2012-06-25 imdb