Easy

Easy é uma série muito interessante da Netflix. Ela explora os relacionamentos mostrando como eles, na verdade, são bem mais simples do que a esmagadora maioria das pessoas pensa que é. Todo o drama, as complicações, a falta de comunicação é traduzida em uma linguagem simples, de São Francisco, que envolve diferentes tipos de casais (ou outros) em diferentes tipos de situações. Seus pontos em comum? Tentar complicar o que é muito, muito simples.

A série dirigida e escrita por Joe Swanberg (que também faz parte da edição) mantém um formato interessante, que não se rende ao cômico demais, nem ao dramático demais. É naturalista em explorar uma mini-história em um micro-cosmos de meia-hora. Se sai maravilhosamente bem. Uma outra série feita na mesma época, Midnight Diner: Tokyo Stories, parece ser seu “primo gêmeo” (só diferenciando pelo foco nas histórias, sua resolução, e o abismo cultural entre o Japão e a Califórnia.

Não há atuações de destaque, mas há personagem carismáticos. E para isso o elenco dá conta perfeitamente. A série apela para a vanguarda artística de esquerda, mas nem por isso se torna politicamente correta no nível insuportável. É algo muito menos apelativo que isso.

Tome o episódio da vegam (o segundo), por exemplo. Ele trata da dieta da namorada de uma pessoa completamente diferente em costumes de uma maneira como se fosse um detalhe a influenciar o relacionamento entre elas, e não uma ode ao veganismo. Da mesma forma o próximo episódios, que parece destilar o veneno em cima de esposas grávidas chatas, mas entende as complicações da vida real, sem tentar minimizá-las. A série só quer explicar como as coisas podem ser mais simples do que parecem em um diálogo simples, direto e charmoso (a trilha sonora é particularmente fraca, mas agradável).

E com esse objetivo, é uma ótima pedida.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-10-23 imdb