Emoji: O Filme

2017/11/23

Não é sintomático que um filme chamado Emoji tenha tão poucas emoções? Talvez não. Afinal de contas, os emojis basicamente são a simplificação de nossa linguagem e dos nossos sentimentos. Onde um email com uma poesia é colocado na lixeira porque “usar textos é tão retrô” e onde no lugar de um emoji com uma única emoção enlatada surge um emoji com várias!

Spoiler? Quem se importa com isso? Com certeza não os consumidores de trailers de cinema, que entregam praticamente toda a história do filme em poucos segundos. E sinto que com esse filme isso seria realmente possível. Talvez desde o argumento inicial desse filme pouca coisa mudou.

Exceto uma coisa: quais vão ser os patrocinadores desta produção. Porque, claro, um filme hoje em dia que se passa dentro de um smartphone cheio de apps nada mais natural que as empresas desenvolvedoras dos apps paguem por ele. E isso pode ser tão sutil quanto Facebook, Twitter e Instagram (que devem ter sido até pagos para participar) ou gritante como Candy Crush, Just Dance, Spotify e Dropbox.

A história é de um emoji, o “meh”, que aqui se chama Gene e não consegue apenas fazer sua cara de meh. Ele tem um amigo, o “Bate Aqui”, que irá lhe dar uma mãozinha. Se você entendeu essa piadinha infame e não deu risada, espere para você mesmo, espectador, fazer mais caras de meh durante o filme do que o próprio Gene. Talvez a solução para o problema dele estará disponível na Netflix em breve: seu próprio filme. Duvido que ao assisti-lo ele não ganhe permanentemente uma face blasé.

Como se não fosse possível enfiar mais estereótipos e referências neste filme, incluindo os trolls de internet, os spams, o cavalo de Tróia, o firewall, os anti-vírus (e, sim, os vírus), e a hacker, “Emoji: Meh” copia descaradamente Detona Ralph em seu subplot (e sua música final) e ainda “detona” a ideia com uma personagem feminista de fazer vomitar (como se hoje em dia houvesse alguma feminista que não causasse esse efeito). Aliás, a própria história principal já lembra Divertidamente até demais (filme sobre emoções não serem tão simples, e os próprios pais de Gene possuem o mesmo problema da menina do filme da Disney: lidar com um adolescente problemático; claro que o adolescente ser um emoji poderia ser interessante… mas não é).

Por fim, se você espera um filme clichezão tapa-buraco (filme sobre emoticons: check!) com pouca criatividade em sua história, seu roteiro, sua direção de arte e até fotografia (até Tron, o original dos anos 80, se sai bem melhor em sua abstração), “Emoji: Arght!” é o seu tipo de filme. No começo ouvimos uma narração em off de Gene. Em determinado momento, uns 20 segundos depois, ele comenta: “acho que a essa altura você nem está mais me ouvindo”. Se você é esse tipo de espectador, e saca seu smartphone no cinema porque está entediado (com cara de meh), fico feliz de lhe apresentar a sessão que você deve ir (e consequentemente a que eu nunca irei).

★☆☆☆☆ The Emoji Movie. USA, 2017. Direction: Tony Leondis. Script: Tony Leondis. Eric Siegel. Mike White. John Hoffman. Cast: T.J. Miller (Gene). James Corden (Hi-5). Anna Faris (Jailbreak). Maya Rudolph (Smiler). Steven Wright (Mel Meh). Jennifer Coolidge (Mary Meh). Patrick Stewart (Poop). Christina Aguilera (Akiko Glitter). Sofía Vergara (Flamenca). Edition: William J. Caparella. Soundtrack: Patrick Doyle. Runtime: 86. Ratio: 2.35 : 1. Gender: Animation. Release: 31 August 2017. Category: movies Tags: paulocoelho

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