Então Morri

Um documentário que passa direto para nossos sentidos. Começa na morte e vai voltando pela dor, alegria, ou seja, emoções dos seus personagens da vida real.

Em todos eles, miséria, religião, simplicidade. Não apenas do modo de viver, mas de pensar, e consequentemente de falar a respeito da vida. São pequenas lições ouvir as pequenas poesias que essas pessoas dizem, em palavreado simples e ações mais simples ainda, como um soco ou chute, um beijo ou carregar um caixão.

A edição é ágil, fluida, e conforme avança para aos poucos. Closes absurdos e uma qualidade sofrível das imagens trazem a realidade para um nível naturalista. A trilha sonora começa dietética e vai se alastrando pelas cenas, como memórias. Trilhas sonoras da vida, assim como os diálogos, assim como as faces daquelas pessoas, que personalizam a vida em seu básico, instintivo; a poesia do existir.

Os diretores Bia lessa e Dany Roland, empenhados também em realizar fotografia, roteiro e edição (com a ajuda de Julia Bernstein), agradecem ao final pelo documentário-mestre do Brasil, Eduardo Coutinho. Não à toa. Os idealizadores captaram a inteligência emocional de Coutinho em um trabalho simples, mas poderoso, que consegue extrair palavras da vida que são tão comuns, mas tão poderosas.

De um grupo de mulheres esperando os homens para carregar um caixão à noite da avó falecida até um grupo de crianças comentando uma briga recente entre meninas, Então Morri abraça a vida de um jeito que não é possível largar. Acompanhamos a sequência exata de um filme rebobinando, desde a morte até o nascimento, como espectadores que se conectam com aquela película quase sem filtros.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-11-02. Então Morri. Então Morri (Brazil, 2016). Dirigido por Bia Lessa, Dany Roland. Escrito por Bia Lessa.