Entre Irmãs

2017/10/02

Breno Silveira (2 Filhos de Francisco) parece ter descido mais um degrau qualitativo com esse Entre Irmãs, cujo título já diz a que veio: tentar ser mais um filho sobre relacionamentos familiares conturbados. Porém, diferente de “2 Filhos”, esta história não é boa. É clichê, previsível e arrastada. Apesar de tecnicamente impecável, com boas fotografias do Sertão (não tanto da insossa Fortaleza) e uma direção de arte que parece fazer muito com pouco (dinheiro), o roteiro é novelístico, ou teatral, com ímpetos grandiosos que não fazem jus à história que está sendo contada.

A trilha sonora de Gabriel Ferreira é a coisa mais petulante das longas quase três horas de duração do filme. Tentando exaltar cada minúsculo momento na ação, o filme mesmo parece se esquecer de mostrar algo diferente do que diálogos prepotentes feitos para um elenco afiado que merecia mais (e Marjorie Estiano e Julio Machado ganham ainda mais destaque). Infelizmente tudo se baseia em diálogos, como se pode perceber quando é a terceira vez que alguém comenta que “o povo fala demais”, seja o povo da caatinga ou da alta sociedade. Que povo? Nunca vimos nada, só ouvimos falar.

Sem conseguir emplacar uma trama minimamente interessante, o filme inteiro é um relato burocrático do livro que se inspirou. Os acontecimentos divergem entre as irmãs separadas (uma foi para o cangaço, outra para a burguesia nordestina), mas não conseguem sequer se diferenciar. Quando algo acontece a uma irmã, logo acontece algo próximo a outra. E quando as histórias (inevitavelmente) convergem, é como se não tivesse se passado nem uma semana, embora o filme com seus pequenos saltos temporais sugira um longo processo (pelo menos nove meses, se é que você me entende).

Entre Irmãs é o longa mais fraco de Breno Silveira após ele estrear com o milagroso Filhos de Francisco, que tem uma ótima história (real) com um ótimo elenco e uma técnica eficiente. Aqui só há técnica e elenco, sem história. E vemos como isso faz falta.

★★☆☆☆ Entre Irmãs. Brazil, 2017. Direction: Breno Silveira. Script: Patrícia Andrade. Frances Peebles de Pontes. Cast: Ângelo Antônio (Dr. Eronildes). Rita Assemany (Dona Dulce). Cyria Coentro (Tia Sofia). Letícia Colin (Lindalva). Nanda Costa (Luzia). Marjorie Estiano (Emília). Rômulo Estrela (Degas). Claudio Jaborandy (Dr. Duarte). Fábio Lago (Orelha). Cinematography: Leo Resende Ferreira. Soundtrack: Gabriel Ferreira. Gender: Drama. Release: 12 October 2017. Category: movies Tags: cabine

Share on: Facebook | Twitter | Google