Entre Irmãs

Breno Silveira (2 Filhos de Francisco) parece ter descido mais um degrau qualitativo com esse Entre Irmãs, cujo título já diz a que veio: tentar ser mais um filho sobre relacionamentos familiares conturbados. Porém, diferente de “2 Filhos”, esta história não é boa. É clichê, previsível e arrastada. Apesar de tecnicamente impecável, com boas fotografias do Sertão (não tanto da insossa Fortaleza) e uma direção de arte que parece fazer muito com pouco (dinheiro), o roteiro é novelístico, ou teatral, com ímpetos grandiosos que não fazem jus à história que está sendo contada.

A trilha sonora de Gabriel Ferreira é a coisa mais petulante das longas quase três horas de duração do filme. Tentando exaltar cada minúsculo momento na ação, o filme mesmo parece se esquecer de mostrar algo diferente do que diálogos prepotentes feitos para um elenco afiado que merecia mais (e Marjorie Estiano e Julio Machado ganham ainda mais destaque). Infelizmente tudo se baseia em diálogos, como se pode perceber quando é a terceira vez que alguém comenta que “o povo fala demais”, seja o povo da caatinga ou da alta sociedade. Que povo? Nunca vimos nada, só ouvimos falar.

Sem conseguir emplacar uma trama minimamente interessante, o filme inteiro é um relato burocrático do livro que se inspirou. Os acontecimentos divergem entre as irmãs separadas (uma foi para o cangaço, outra para a burguesia nordestina), mas não conseguem sequer se diferenciar. Quando algo acontece a uma irmã, logo acontece algo próximo a outra. E quando as histórias (inevitavelmente) convergem, é como se não tivesse se passado nem uma semana, embora o filme com seus pequenos saltos temporais sugira um longo processo (pelo menos nove meses, se é que você me entende).

Entre Irmãs é o longa mais fraco de Breno Silveira após ele estrear com o milagroso Filhos de Francisco, que tem uma ótima história (real) com um ótimo elenco e uma técnica eficiente. Aqui só há técnica e elenco, sem história. E vemos como isso faz falta.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2017-10-02 imdb