Entre Linhas

Este é um filme independente que se veste de narrativa complexa sobre relacionamentos e metalinguagem, mas que não consegue pintar personagens dignos de figurar em uma trama desse nível. Dessa forma, seja tecnicamente ou artisticamente, a produção de torna pedestre, e até um pouco pretensiosa, ao tentar dramatizar um thriller absurdo e psicologicamente não apenas confuso, mas raso em seu núcleo.

Pois, vejamos. Jacqueline é uma escritora que ou cria relacionamentos fictícios para si e sua protagonista ou reflete seus relacionamentos passados para ela, jogando ao mesmo tempo com o atual flerte com o diretor da peça que ela pretende escrever. Dessa forma, o filme fica pulando entre dois relacionamentos passados de uma heroína fictícia que nada faz a não ser conversar com seus amantes, na praia, na prisão e em sua casa. Eles são bonitos, charmosos, mas igualmente vazios. Não há muito no filme que os tornem tridimensionais, e muito que os façam parecer clichês de novela.

E o que mais ajuda nesse clima de novela é a fotografia televisiva (leia: pouco trabalhada) aliada com uma trilha sonora que busca a todo momento trazer tensão ao espectador.

Tensão essa que nunca se concretiza, pois todo o emaranhado da montagem não consegue trazer nada de significativo à história, exceto não cairmos de sono.

O que é um ponto positivo no filme, que é curto, quase um conto alongado, e que serve como laboratório de testes. Infelizmente, os testes feitos não parecem ter gerado o efeito desejado.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-10-20 imdb