Eu Estava Justamente Pensando em Você

O que acontece quando um diretor/roteirista narcisista resolve criar um herói em seu filme de estreia que é um autista narcisista e ele começa a conjecturar as possibilidades futuras do relacionamento com uma garota que acabou de conhecer, e no processo tenta subverter alguns clichês de linguagem cinematográfica contemporâneo tentando soar muito, mas muuuuito mais inteligente do que verdadeiramente é?

A resposta é indefinida. Eu Estava Justamente Pensando em Você é um ótimo trabalho de estilo, um exercício de Cinema que consegue puxar alguns limites em seu começo que podem muito bem figurar entre os melhores momentos de 2015. Infelizmente, o castelo de cartas pseudo-intelectual cai quando Dell (o nosso herói, interpretado pelo habitual Justin Long) se alonga em seus medos e receios no ponto em que começa a soar repetitivo, tornando todos seus esforços em soar original em vão. Ao sair da sala, nem sabemos direito sobre o que é a história. Não que ela seja difícil. Na verdade ela é. Mas na verdade, isso é irrelevante. A discussão em si é uma baboseira para jovenzinhos que se acham PhDs em filosofia. Mas nada em filosofia é tão clichê quanto o amor visto por Hollywood. Hollywood Forever 8)

O filme possui uma montagem interessante, pois conta os medos e receios do rapaz em cima de cinco momentos na vida de um casal que acabou de se conhecer. O ansioso Dell e a bela Kimberly (Emmy Rossum). Com o passar do tempo, vemos que nesses cinco momentos nenhum dos dois mudou, e Kimberly continua apenas bela, e Dell apenas ansioso. Suas discussões beiram entre o amadorista Apenas o Fim e arriscam ser Antes do Amanhecer. E estou falando da trilogia inteira de Linklater, em apenas 90 minutos. É muita pretensão nas mentes deste jovem criador.

Sam Esmail, o diretor/roteirista, está ficando famoso pelo seu seriado, Mr. Robot, que lida também com um personagem com problemas de se socializar, além da ansiedade. Casado com a atriz que interpreta Kimberly, seu primeiro longa-metragem possui um protagonista parecido, mas em uma comédia-romântica, interpretado pelo Justin Long de sempre.

Por fim, tendo sua primeira metade sensacional, e uma segunda metade que destrói expectativas, “Comet” é uma brincadeira até que divertida com metalinguagem e com relacionamentos em geral, mas nunca consegue sair de sua superfície bem criada, preferindo se repetir à exaustão. Uma pena.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2015-10-09 imdb