Eu, Tonya

Este é um filme sobre a história real de uma moça red neck que resolve enfrentar o status quo dos valores tradicionais americanos nas pistas de gelo. Tonya Harding patina bem pra c****, e parece que essa é a única coisa que as pessoas em volta de sua vida não percebem. Todos vivendo em torno de seus umbigos, Tonya é uma sobrevivente de uma infância de abusos, independente até a alma e buscando para sempre o reconhecimento. De qualquer um.

A empatia de Margot Robbie é tocante. Seu sotaque é marcante. Ela consegue desfazer seu lado sensual construído com base em trabalhos como O Lobo de Wall Street e Esquadrão Suicida e se tornar uma mulher mais macho que seu ligeiramente estúpido e violento marido (um trabalho até que sutil de Sebastian Stan) e até da sua caricata e rancorosa mãe (Allison Janney está bem, mas chega a ser irritantemente repetida).

O roteiro de Steven Rogers usa um misto de estrutura de flashback com entrevistas documentais e quebra de quarta parede para construir uma narrativa interessante. Consegue. Menos eficientes são as tentativas do diretor Craig Gillespie (A Garota Ideal) em idealizar os momentos marcantes da carreira da patinadora. Seus giros em câmera lenta que depois a acompanha em torno da plateia soam repetitivos depois de um tempo, apesar de nunca perderem a beleza. A melhor parte são as transições entre a cara de Margot Robbie e “suas” pernas realizando manobras precisas e arriscadas sobre o gelo. Um marco em edição e efeitos.

A trilha sonora é algo que sempre faz sucesso em filmes de época. Aqui temos hits dos anos 80 e 90 que floreiam a nostalgia da época pontualmente para que sejamos imersos na história. Melhor se sai o figurino, que não é original, mas que reconstroi as roupas feitas pela própria Tonya Harding de maneira sutilmente marcantes, com direito a lantejoulas, brilhos e cores aurinegras que relembram sua origem libertária.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2018-01-13 imdb