Filosofia De Mr Robot

2017/08/28

Então eis que ergue-se um mundo niilista, até um pouco absurdista, onde o controle é uma ilusão. O sonho de garoto de salvar o mundo encontra novos significados do que é mundo e do que é salvar. Elliot não é apenas multifacetado pela figura de sua família; ele É sua família. E não apenas isso, mas consequência do próprio mundo que ele deseja salvar. Há desafios hercúleos em sua jornada, que parecem intransponíveis para nós, mortais. O que dirá , então, para um hacker esquizofrênico.

Elliot e o mundo que o cerca é a tradução do que estamos vivendo após a crise econômica de 2008. As pessoas estão revoltadas com um mundo criado contra elas. Elliot está revoltado pelo seu pai estar no comando, sendo que ambos estão equivocados. O mundo, em ambos os casos, é apenas reflexo de suas vítimas.

Dessa forma pessoas endividadas por uma mega-corporação e uma criança abusada quando criança são reflexos dessas pessoas e dessa criança. Isso não significa que a criança possui alguma culpa por ter sido abusada. Significa que as pessoas não têm culpa, individualmente, de ter gerado essa crise. Porém, de maneira ambígua, os pais e o sistema financeiro mundial são ao mesmo tempo algozes e criaturas.

Mr. Robot coloca tudo sob perspectiva. Todas as explicações, de todos os lados, são jogadas em cima da mesa. A consequência disso é que não é possível, logicamente, dizer que há bandidos e mocinhos nesta história. Quando fulano diz que gostou de sicrano ter de matado, pois era um fraco, sim, ele está logicamente correto. O que expõe a verdade crua da natureza humana do homem: a Teoria da Evolução. Só os mais “fortes”, ou aptos, sobrevivem. Não de força física, mas mental. Somos animais racionais. Os que suportarem a existência humana e sua condenação inicial de que somos livres (Sartre) terão que tomar a decisão de cumprirem suas funções na sociedade (seja ela qual for) ou se transformarem conscientemente em robôs, vivendo uma ilusão onde há controle.

Mas, adivinha só? Em ambos os casos, ninguém possui esse controle muito além de nossas próprias cabeças, e é por isso que o nível máximo de liberdade está chegando e está nas mãos de quem controla computadores. Software, máquinas inteligentes e inertes. Código maleável. Engenharia social, hackeando a própria mente humana. Bitcons, a solução tecnológica da moeda.

Não deixa de ser irônico o fato que o herói da trama, apesar de ter todos os atributos necessários para conseguir o controle absoluto tão almejado, é o que menos consegue controlar sua própria cabeça.

E concluímos, então, esse niilismo que vivemos hoje. Nada tem muito valor se analisado microscopicamente. E se nada tem valor, tudo pode. O trunfo da série é concluir que tudo no mundo nos torna escravos de nós mesmos.

★★★★★ Mr. Robot. USA, 2015. Direction: Sam Esmail. Jim McKay. Script: Sam Esmail. Randolph Leon. Adam Penn. Kyle Bradstreet. Cast: Rami Malek. Carly Chaikin. Portia Doubleday. Martin Wallström. Christian Slater. Stephanie Corneliussen. Michael Cristofer. Sunita Mani. Azhar Khan. Edition: Franklin Peterson. Philip Harrison. John Petaja. Sam Seig. Sharidan Sotelo. Cinematography: Tod Campbell. Soundtrack: Mac Quayle. Runtime: 49. Gender: Crime. Category: blog Tags: series mrrobot

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