Fora de Controle

Um drama moral tão bem construído não deveria ser conduzido de forma tão insegura como é feito aqui. A direção de Roger Michell (Um Lugar Chamado Notting Hill, Uma Manhã Gloriosa) combina uma atmosfera de thriller policial com filme de ação e peca justamente ao não nos aproximar dos seus dois personagens quando essa abordagem seria merecida ou necessária.

Em vez disso, muitos closes com uma câmera na mão e muitos cortes sem sentido nos dão a sensação de movimento alucinado em uma história que já cativaria pelo papel de Samuel L. Jackson, que faz um pai de família separado que está a um fio de voltar a ser alcoólatra quando um acidente de carro com um advogado (Ben Afleck) o faz perder a chance de se redimir. Em essência, esses dois homens procuram fazer o que acham correto naquele momento para salvarem suas vidas. O que o filme propõe é uma reflexão nesse “correto” para Ben e um aprofundamento das razões (e ações) de Jackson.

Como as definições morais ficam em um dégradé que vai se formando a cada novo passo de um dos dois protagonistas (mais Jackson, menos Ben), não existe a definição clássica do bem contra o mal, mas a dos antagonistas ocasionais. Tudo é caótico e dá errado para alguém, certo para outro. E vice-versa. O ritmo aos poucos começa a entediar. Mais um tropeço, dessa vez do roteiro do estreante Chap Taylor e do veterano Michael Tolking (dos medíocres Impacto Profundo e Nine), que transforma esse clima de acaso (que é positivo) em uma rota certa para um final mais ou menos previsível, não nos dando fôlego ou espaço para conjecturar o que poderia acontecer.

Mesmo assim, há um momento de “redenção” para o espectador em um novo reencontro. Infelizmente, esse passa tão rápido para o final clichê que mal temos tempo para saboreá-lo. Voltamos para o lugar-comum onde acidentes acontecem, mas cujo destino já está escrito em páginas não tão inspiradas.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2013-11-15 imdb