Frantz

“Frantz”, de François Ozon (Swimming Pool), é quase um remake de “Broken Lullaby”, de um dos diretores clássicos do Cinema, Ernst Lubitsch. Lubitsch, se dizia, possuía um toque especial: ele ambientava seus personagens em um mundo peculiar, diferente do real, mais metafórico e com uma certa dignidade que falta ao espírito humano quando se fala em mundo real. Ozon parece também ter seu próprio mundo, mas diferente de Lubitsch, ele usa uma certa ironia e uma certa maldade para atingir, através de uma visão honesta e ligeiramente exagerada, o quanto é a nossa percepção da realidade que a cria, e se a verdade é uma moeda de tão alto valor quanto se diz por aí. Quando até um padre avalia as ações não através da verdade, mas através de um aspecto mais utilitário (ainda que moral), é necessário rever essas questões durante uma história familiar que ultrapassa de longe qualquer drama que você esteja acostumado a ver de Hollywood. “Frantz” ainda é um filme que aproveita o p&b clássico dos filmes de época para evocar um novo significado em uma Alemanha e França pós-guerra onde as feridas ainda estão abertas, e onde a felicidade parece que ficará por um tempo suspensa na escuridão da melancolia.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2017-05-26 imdb