Frozen Uma Aventura Congelante

Foi uma surpresa mais que gratificante descobrir que Frozen é muito mais do que aquele trailer tosco com um bonequinho de neve falante (apesar do boneco funcionar, e muito bem). Inspirado mais uma vez em um conto de princesa, mas dessa vez incluindo uma força dramática tão madura e ambiciosa que é difícil de conceber como um trabalho da Disney, a história gira em torno do relacionamento entre duas irmãs, Anna e Elsa. A mais velha possui um poder incontrolável de congelar tudo em sua volta, o que causou um grave ferimento à irmã quando crianças. Por causa disso e por decisão dos pais, ela se esconde do mundo e quase nunca aparece. Porém, o inevitável acontece, e nesse momento já estamos estupefatos diante da grandiosidade com que Frozen é narrado.

Filmado em 3D, o filme se aproveita de uma direção competente de Chris Buck e Jennifer Lee (envolvidos em produções como Detona Ralph e Tá Dando Onda), que envolvem o espectador em cenários com uma profundidade de campo que torna o efeito dos óculos realmente útil, além de incluir em torno de seus quadros elementos em distâncias distintas, ressaltando a terceira dimensão sempre que é possível. Não só isso: criado a partir de um conto de gelo, o filme contém esculturas e construções quase que oníricas dado sua beleza e proporção.

Diferente de A Princesa e o Sapo, aqui os números musicais funcionam quase que completamente, e fazem uma agradável rima com a inspirada trilha sonora de Christophe Beck (Os Muppets, Se Beber Não Case). Cada personagem pega um tom para si, e o resultado, a meu ver, deve ser muito interessante de se ouvir (e provavelmente mais coeso) no idioma original, um prazer reservado a poucos que irão assistir à sessão da única sala do país que exibe uma cópia legendada.

É fascinante observar também que a Disney durante o segundo e terceiro atos não se entrega facilmente a fórmulas baratas, o que torna o seu final mais decepcionante ainda, pois revela uma falta de capricho inesperada em uma produção que até então parecia impecável. Dá a impressão que os produtores resolveram encurtar a duração do filme de propósito, para prejuízo dos realizadores, que tiveram que assassinar o ritmo nos 20 minutos finais com soluções bobas e plásticas. Isso perto da ambição de sua proposta é um pecado enorme.

Um curta de molhar a poltrona

Se há um excelente motivo para assistir Frozen em 3D, apesar de bem aproveitado, nem é o próprio filme, mas o curta inicial. Usando como plot os primeiros desenhos do Mickey em preto e branco em uma razão de tela apertada, há uma explosão de criatividade em 5 minutos que irão abalar sua mente e coração cinéfilos. Pessoalmente me senti pago pela sessão assim que acabou este curta. Melhor: me senti recompensado por ter visto essa pequena obra-prima em 3D. Espero que sintam o mesmo.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-01-09. Frozen Uma Aventura Congelante. Frozen (USA, 2013). Dirigido por Chris Buck, Jennifer Lee. Escrito por Jennifer Lee, Hans Christian Andersen, Chris Buck, Jennifer Lee, Shane Morris, Dean Wellins. Com Kristen Bell, Idina Menzel, Jonathan Groff, Josh Gad, Santino Fontana, Alan Tudyk, Ciarán Hinds, Chris Williams, Stephen J. Anderson. imdb