O Gigante de Ferro

Primeiro trabalho em longas de Brad Bird (“Os Incríveis”, Ratatouille), essa simpática animação peca apenas por ter alguns efeitos desajeitados e por carecer de expressões melhores para seus personagens. Fora isso, é um trabalho conciso e coeso e uma espécie de “reimaginação” de ET como um ser robótico e construído realmente com fins militares.

A história gira em torno do tal robô gigante que cai próximo a uma cidadezinha do litoral durante a Guerra Fria (uma informação que Bird sabe que não precisa ser divulgada verbalmente em um filme de crianças, preferindo usar em sua primeira cena o Sputnik, primeiro satélite russo lançado ao espaço). Um garoto o descobre escondido na floresta e o ensina a se comunicar. O robô se alimenta de ferro, e logo carros aparecem mastigados na paisagem e um inspetor do governo vem averiguar o que está acontecendo. O ritmo dos acontecimentos pontua bem a relação crescente robô/garoto e também a incompetência conveniente do inspetor.

O velho clichê de mensagem de moral sobre ser você mesmo existe, e funciona muito bem. No final das contas, não é o clichê o problema, mas a preguiça da maioria das produção em usá-lo. Aqui ele é construído aos poucos com pequenas pistas plantadas ao longo da projeção. Pode parecer lento, mas é apenas um pouco mais realista que as futuras produções que a Pixar faria.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-12-20 imdb