Gigantes de Aço

Esse é aquele tipinho de filme que tem o espírito Disney e Spielberg ao mesmo tempo — tanto que é produzido por ambos — mas felizmente consegue lançar uma nova e empolgante luz para uma história já batida. Conduzido pelo diretor/produtor Shawn Levy e escrito por John Gatins (O Voo e… arght! Norbit), ambos estão claramente “inspirados” pelo coração de Mickey Mouse e o dedo de E.T.: a história une pai e filho, até então completos desconhecidos, em torno da luta de robôs de aço gigantes, uma mania que se tornou a regra após a decadência do boxe e das lutas de UFC por conta da sede cada vez maior do público por destruição total.

E destruição total é o que bem define Charlie Kenton (Hugh Jackman, ótimo), que parece destruir todas as oportunidades de se reerguer de apostas cada vez mais arriscadas e que sempre dão errado. Até a chegada da notícia do falecimento de sua ex-esposa e o ressurgimento de Max Kenton (Dakota Goyo, excelente), seu filho quase-bastardo. Evitando a todo o custo sua aproximação, Charlie chega a trocar a guarda do filho por dinheiro de seu cunhado rico, uma vez que sua tia deseja adotar o garoto. Porém, um mês de férias com o menino é o suficiente para que ele perceba que talvez tenha a chance definitiva de fazer uma única coisa certa em sua vida.

O filme empolga com ótimas construções em torno da fascinação de Max pela luta de robôs e como o seu temperamento idêntico ao do pai (talvez mais jovem e esperançoso), no fazendo ficar empolgados no processo a respeito desse mundo, que se abre aos poucos, o que nos deixa entender como tudo funciona em detalhes que são organicamente colocados durante a trama. Tirando os personagens caricatos (praticamente todos, exceto a dupla Jackman/Goyo) e as situações caricatas (todas que tem música de fazer chorar e a câmera gira) o filme possui cortes precisos em torno da ação e é preciso ter um coração de lata para não se emocionar com o primeiro soco dado pelo robô deles na última luta.

Tudo isso, porém, não faria sentido, se os robôs mostrados no filme fossem indiferentemente retratados como nos três primeiros Transformers de Michael Bay. No entanto, além de efeitos visuais tão bons que sequer são notados, a imaginação dos realizadores através dos movimentos desses pequenos gigantes é algo que assusta a cada momento e nunca foge da realidade. Praticamente nos acostumamos a ver robôs andando em meio à multidão e lutando nos mais diferentes ringues. Isso se torna uma realidade absorvida completamente durante o filme, o que é um mérito e tanto dos criadores.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-04-16 imdb