Grandes Olhos

2017/05/02

Olhos Grandes é uma incursão do diretor Tim Burton por um universo já existente, o que se por um lado favorece seu lado de direção de arte a exagerar um conteúdo já determinado, por outro lado limita sua capacidade de fazer o mesmo com seus personagens, que soam irreais em uma história baseada em fatos reais.

O plot é a fantástica história real da pintora Margaret Keane, que iniciou um estilo vindo do coração e a repulsiva tortura psicológica que ela passou através do seu segundo marido, Walter Keane, interpretado por um ator inadequado, Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), que consegue soar pouco ameaçador e muito digno de pena. O curioso é que Waltz está acostumado a papéis de natural dominação, mas aqui, por algum motivo, sempre sai em cada cena um pouco abaixo de onde deveria estar na escala de dominação psicopata.

A menina que faz a pintora, Amy Adams, por outro lado, possui o tom exato de alguém que parece desejar mais que sua arte a estabilidade necessária para cuidar de sua filha após se separar do seu marido. Ela já contém no começo do filme talento de sobra, mas precisa trabalhar como pintora de cabeceira de camas infantis para ganhar a vida enquanto nos finais de semana se vende no parque pintando retratos por um ou dois dólares. “Você se vende muito barato”, diz um pintor e simpático pretendente ao seu lado. Logo eles de casam e ele começa a usar o talento de sua esposa para se promover, mesmo que isso o obrigue a assumir a autoria dos retratos das crianças com olhos grandes que aos poucos vai chamando atenção de uma Califórnia acostumada a esnobar.

Com cenários arrebatadores pela perfeição e sensação de época, Burton vai facilmente nos conduzindo por uma história que vai aos poucos fazendo menos sentido. É curioso tentar entender por que sua própria filha, já em uma idade compreensiva, não pode saber do golpe que ambos começam a aplicar em fraudar a autoria dos quadros, e a insistência em manter uma mentira em família que desde o começo já fracassaria, já que mãe e filha sempre estiveram próximas.

Da mesma forma, a maneira do marido em tentar impor essa versão da realidade para a sociedade de arte não implica automaticamente na fama e fortuna que vêm depois. E a ameaça de serem descobertos nunca soa de fato ameaçadora, já que nunca de fato vemos muito da ascensão do artista, mas apenas flashes e diálogos. E a inocência permanente da artista e sua posterior transição para a ação são convenientemente atreladas ao final mais covarde possível para um filme: um julgamento.

E ele é breve, inconvenientemente cômico e absurdamente irreal, como quase todos os trabalhos que possuem a assinatura de Burton.

★★★☆☆ Big Eyes. USA, 2014. Direction: Tim Burton. Script: Scott Alexander. Larry Karaszewski. Cast: Amy Adams (Margaret Keane). Christoph Waltz (Walter Keane). Danny Huston (Dick Nolan). Krysten Ritter (DeeAnn). Jason Schwartzman (Ruben). Terence Stamp (John Canaday). Jon Polito (Enrico Banducci). Delaney Raye (Young Jane). Madeleine Arthur (Older Jane). Edition: JC Bond. Cinematography: Bruno Delbonnel. Soundtrack: Danny Elfman. Runtime: 106. Ratio: 1.85 : 1. Gender: Biography. Release: 29 January 2015. Category: movies Tags: paulocoelho

Share on: Facebook | Twitter | Google