Greater Things

Este é um filme que possui poucos diálogos, o que o torna o mais cinematográfico possível. Isso quer dizer que o que vemos e o que ouvimos consegue passar a mensagem. E muitas vezes a mensagem é formada pelo que não vemos e não ouvimos.

Conta a história de quatro pessoas. Duas delas são casadas e duas são solitárias (ou talvez todos sejam). Uma mora em Londres e vive na inércia do escritório onde trabalha, até o momento que decide fugir para qualquer outro lugar do mundo, o que acaba sendo Tóquio. Lá é onde estão as outras três pessoas, um casal maduro e um lutador de MMA. O casal está junto, mas parece apenas dividir a casa, como tão bem demonstrado pela fachada transparente de seus cômodos. O lutador mora em um pequeno quarto enquanto aguarda a próxima luta. Duas dessas pessoas usam formas solitárias de se expressar, seja através de efeitos sonoros ou pela forma de treinar musculação. Porém, são péssimos em palavras, como demonstrado nas entrevistas com o lutador e as conversas com a esposa (ou a ausência delas).

O uso de enquadramentos com espelhos tentam ampliar os horizontes limitados dessas pessoas, que apesar de seus sucessos ou fracassos, vivem à deriva de suas conquistas ou desconsolos. Porém, parece haver algo de belo e poético na visão do diretor Vahid Hakimzadeh, que observa seres humanos com a maior paciência do mundo, nos fazendo prestar atenção nos efeitos sonoros da realidade à volta (como os grilos à noite na casa de vidro). Há vários momentos também que a beleza dos enquadramentos fazendo o filme virar um quadro vivo.

Porém, nada disso torna o filme particularmente eficiente como narrativa, mas arrastado. Talvez sua beleza consiga nos fazer relevar a falta de tensão ou conflito até terceiro ato, ou estejamos apenas também imersos na história de cada um deles, aguardando algo “sair dos trilhos”. Interessante notar que isso não ocorre quando um personagem começa a morar na rua, pois isso para ele não é nada mais que apenas uma outra sensação… a de querer menos.

E querer menos pode ser uma das chaves para o longa, pois o movimento de seus personagens é sempre em direção ao minimalista. O filme tende a minimizar sua própria narrativa, de maneira que o tempo corre, mas o espectador é que precisa preencher algumas lacunas (como a mulher se conecta com o sem-teto? como o lutador chegou lá sem um empresário?). Com o tempo se torna cada vez mais fácil acompanhar aquelas pessoas, mesmo sem saber muito sobre elas, e mais difícil deixar de acompanhar. Esse é um dos motivos que torna o filme incrivelmente curto (e, seguindo sua própria tendência, mínimo).

Mas, afinal de contas, com o que estamos lutando, como espectadores, quando tentamos desvendar um filme desses? Há algum motivo para extrair significado de vidas que simplesmente movem para a frente e se conectam, mesmo que essa conexão seja simplesmente comprar o ingresso para vê-lo lutar?

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2016-10-20 imdb