Harry e Sally

Nora Ephron morreu ano passado. Escreveu e dirigiu trabalhos desde os anos 80 que hoje são agradáveis passeios pelas origens da comédia romântica como hoje a vemos (ainda que algumas bem datadas, como A Difícil Arte de Amar). No entanto, “Harry & Sally”, comparado com a média das com-rom atuais, possui virtudes o suficiente para elevá-lo à categoria de grande filme.

Note como os personagens não mudam de opinião, não estão loucos por um grande amor e nem são expostos a relacionamentos passageiros para gerar ciúmes no companheiro/a. Harry é visto através da figura de um Billy Crystal sóbrio, divertido e coeso, um Bill Murray sem muito sarcasmo mas com muito carisma. Sally é uma Meg Ryan sem os trejeitos que foi adquirindo ao longo da carreira (principalmente nos anos 90). Os figurinos, a fotografia e a direção de arte dizem quase tudo o que não sai da boca desse casal. Mesmo assim, a direção segura de Rob Reiner (O Clube das Desquitadas) favorece ainda mais tomadas clássicas em torno do casal, como a já batida, mas ainda assim, imperdível, cena do orgasmo.

No caso de Harry e Sally o filme não está datado. Ele serve como experiência romântica e, mais que isso, como um documentário de uma época cheia de transformações sociais.

★★★★★ Wanderley Caloni, 2013-07-01 imdb