Hee

Oct 28, 2016

Imagens

Uma ideia interessante, estruturada de maneira interessante, e executada desleixadamente. Tem a ver com sexo, tem a ver com drama, tem a ver com crime. E isso, aparentemente, é motivo de sobra para a diretora Kaori Momoi se achar a fodona e deixar todos nós entediados.

Porém, veja bem. O filme é um confessionário com um psiquiatra que começa a ser influenciado pelo “fogo” da testemunha-chave: uma prostituta japonesa meio ninfomaníaca (a própria Momoi) que mora em solo americano já há algum tempo, mas não soube usar sua boca para falar inglês (estava ocupada fazendo outras coisas). O roteiro no começo tenta torná-la vítima das circunstâncias – o que ela é – mas ele insiste tanto que ela acaba ficando com a impressão de ser apenas uma vadia, mesmo.

As câmeras duplas, o consultório do doutor com o detetive sentado ao lado; os inúmeros movimentos de câmera, lento, excessivos, tentando sair do marasmo, fazem o possível para tornar o seu monólogo minimamente interessante. Porém, o texto composto por quatro roteiristas (incluindo Momoi) não consegue encontrar o ponto-chave que liga a aparente loucura da protagonista com seus relatos. Falta uma alma que conecte o que ela sofreu para entendermos qual é o verdadeiro drama.

Sem isso, se torna uma tentativa estéril (trocadilho intencional) de reproduzir uma Ninfomaníaca (Lars von Trier) embutida em um thriller de quinta categoria.

Wanderley Caloni, 2016-10-28. Hee. Hee (Japan, 2015). Dirigido por Kaori Momoi. Escrito por Fuminori Nakamura, Miyuki Takahashi, Kaori Momoi, Daisuke Kamijô. Com Kaori Momoi (Azusa), Yûgo Sasô (Sanada), Ayako Fujitani (Mrs. Sanada), Brian Sturges (Detective), Janilee Svärdstål (Patient), Sarah Kei Brooks (Nurse), Melody Thi (Miku), Mimosa Pagkaliwangan (Yume), Chris Harrison (John). IMDB.