Hi Score Girl

| Wanderley Caloni

January 17, 2019

Hi Score Girl apela para o saudosismo de velhos que vivenciaram todas as gerações dos games e fliperamas mais badalados da história, mas é ao mesmo tempo uma história de relacionamento entre um menino e uma garota. Isso provavelmente deve dar tilt.

Ou não. Tendo um estilo que parece obviamente biográfico, acompanhamos a história de Haruo Yaguchi (Kohei Amasaki), um garoto que sempre vai mal na escola e não tem maiores habilidades, exceto ser sempre o primeiro nos fliperamas, onde praticamente vive após as aulas. Do seu lado surge a improvável figura de Akira Ono (voz por Sayumi Suzushiro… pera aí: voz??), que nunca fala nada e é notadamente superior a Haruo no videogame. Akira é a mais bela da sala de aula, além da mais rica. Sua vida no fliperama é a válvula de escape que ela precisa para sua vida regrada e predestinada a herdar o império dos pais.

Se você já foi nerd, gamer, ou nerd gamer, e talvez japonês, sabe que um dos maiores fetiches é por garotas que jogam videogames. Peças raras nos anos 90, quando uma garota entrava no fliperama do bairro quase sempre ela não parecia uma garota. Portanto, não deixa de ser sintomático que aqui ela seja a garota mais bonita da escola.

Haruo tem sua vida pautada nos videogames, e uma relação especial, claro, com Stree Fighter. Seu melhor amigo (imaginário) é um dos lutadores desse jogo, e há alguns momentos que o anime mescla os dois mundos. A trilha sonora, composta pela pianista com foco em videogames Yoko Shimomura, também é um deleite à parte, pois a trilha sonora da série possui aqueles toques conhecidíssimos dos jogos vintage.

A melhor parte de Hi Score Girl diz respeito à comunicação entre os dois e a passagem dos anos. A óbvia imaturidade de Haruo reflete a imaturidade dos garotos em geral, que, incapaz de perceber que Akira está interessada em sua companhia e não em um adversário, cria boa parte dos conflitos entre os dois. Para apimentar um pouco mais a relação eles colocam uma terceira personagem, outra garota bonita, e agora sim temos o fetiche completo do garoto games: duas lindas garotas disputando sua atenção. E ele autista em torno delas.

Utilizando traços fofos, onde as expressões nos rostos dos personagens não são detalhados, mas sutilmente sugestíveis, as músicas do anime também sugerem um traço lúdico que une jogos, saudosismo e relacionamentos amorosos que nunca deram certo na vida em um combinado que é supreendentemente maduro para um anime japonês.

Se trata de um trabalho curto, com 12 episódios (chamados de rounds) de 20 minutos cada. E é incompleto. Uma completa desonestidade com o espectador. Os dois últimos episódios criam ganchos para uma possível futura temporada, mas não conseguem terminar essa temporada de maneira satisfatória.

Imagens e créditos no IMDB.

Hai Sukoa Garu. Japão, 2018. Escrito por Rensuke Oshikiri (mangá) e Tatsuhiko Urahata (animê). Dirigido por Yoshiki Yamakawa. Com Kouhei Amasaki e Sayumi Suzushiro. Música por Yoko Shimomura..