Hiroshima Meu Amor

Jan 9, 2015

Imagens

Me desculpem os adoradores, mas esse é um filme supervalorizado. É a segunda vez que assisto a história dos dois amantes que se despedem por um longo dia em Hiroshima antes que ela se vá para Paris (a atriz de Amor, de Haneke). O impasse “vai ou não vai” se perpetua por longuíssimos 90 minutos, com diálogos que frequentemente também se repetem: o “não quero que se vá” vs “irei, sim” mais longo que os efeitos da bomba jogada sobre a cidade.

Porém, não disse que o filme era ruim. Pelo contrário. Uma de suas virtudes é conseguir manter nossa atenção com um fiapo de trama que se entrelaça com a história do próprio Japão, da França e uma versão antropomorfizada da Alemanha. Seria isso? Metáforas? Nunca saberemos. Não há a mínima pista do que Alain Resnais pretende com isso.

Emmanuelle Riva é um porre sensacional. Realizando a garota francesa com frases de efeito e sem significado prático, os que chamam o filme de “poesia visual” possuem uma noção estranha sobre poesia: que ela deve ser chata e repetitiva. E Riva abraça suas repetições monocromáticas com perfeição (digo isso porque sua personagem possui um motivo de ser, diferente de seu amante, apenas a sombra de sua existência).

Impactando fortemente com as imagens de sua introdução, vamos ganhando um banho de água fria gradual, até que não sobre mais nada. É uma desconstrução estilizada de um romance, ou de vários romances, que se acabaram com a guerra. Um Casablanca démodé aguardando por se cristalizar com a ajuda de suas frases de efeito. Esperemos por mais dez anos.

Wanderley Caloni, 2015-01-09. Hiroshima Meu Amor. Hiroshima mon amour (France, 1959). Dirigido por Alain Resnais. Escrito por Marguerite Duras. Com Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas, Pierre Barbaud, Bernard Fresson. IMDB.