Homem-Aranha: De Volta ao Lar

2017/07/09

A re-re-estreia do Homem-Aranha em filme solo – dessa vez no insosso universo dos Vingadores – é uma divertida abordagem de um Peter Parker jovem e sem traumas (ou seja: sem Uncle Ben) que atualiza o personagem para uma época pressionada pela gangue do politicamente correto, mas também pela geração do bom humor, das ações sem consequências, do “Homem-Aranha do YouTube”. Este é um filme definitivamente para assistir com pipoca, do lado dos filhos, sem estar muito preso aos detalhes que destoam dos gibis.

A história aqui leva uma engraçada introdução filmada pelo próprio Peter Parker durante sua pequena incurssão em um filme dos Vingadores – Guerra Civil – através do seu celular. Revivemos essas cenas sob a narrativa de um jovem Parker que é fã desses super-heróis, e que agora ganha a chance de ser um pupilo do Homem de Ferro, que irá vigiar o herói da vizinhança de Nova Iorque até que este esteja apto a fazer parte da equipe senior.

Mas Peter não é desses que tem paciência para esperar alguns anos para uma nova perigosa missão. Ele logo se cansa da sua rotina de ajudar velhinhas (e ganhar cookies de recompensa) e parte para uma investigação de uma arma poderosa demais para estar nas mãos de contrabandistas. Essa arma foi desenvolvida com material alienígena coletado após o primeiro filme dos Vingadores por um vilão “criado pela ocasião”, que é nada mais nada menos que Birdman… quero dizer, Adrian Toomes, que logo se torna Abutre, um vilão alado.

É preciso embarcar nessa aventura com o espírito da música-tema do Homem-Aranha dos Ramones, que é sub-tema na introdução, sem contar que Ramones protagonizam com sua música a melhor sequência do longa. Ramones irá reverberar em sua cabeça após o filme acabar, e talvez o único personagem marcante que fique do filme seja de fato o Abutre. Michael Keaton está em forma e ele leva seu personagem a sério demais para não o levarmos em conta. Um momento íntimo entre ele e o Aranha é a melhor revelação do longa (apesar de absurdamente absurda), e geralmente são as suas frases que nos fazem pensar. O resto é inconsequente e adolescente, como deve ser em todo filme pipoca.

Dessa vez a Marvel retira a parte dramática da trama e aposta em uma versão mais comportada de Deadpool. O diretor Jon Watts (Clown) leva o projeto um pouco a sério demais, mas nada que prejudique o tom jocoso que é merecido em toda aventura deste herói. Por conta disso, todos os deslizes dramáticos podem ser desculpados deste filme. O que por sua vez significa que o filme é menos impactante que Kick Ass, onde uma menina de 9 anos teme pela vida. Sim, Aranha passa por uns apuros, mas convenhamos: ninguém morre para sempre nos gibis. Imagina nos cinemas.

Ao final fica claro que o objetivo foi criar uma introdução bem-humorada do Homem-Aranha em um novo universo, sem se preocupar em contar sua origem (agradecemos) e sem se importar com a parte dramática do seu personagem, até porque ele ainda está no colégio e dá foras com seu interesse amoroso. O roteiro desenvolvido por um batalhão ainda se preocupa em não acelerar muito a apresentação de personagens (como a menina que está sempre presente, mas não faz parte do grupo de amigos de Peter) para não estragar o potencial futuro de tudo que está sendo criado. Isso quer dizer que o objetivo deles provavelmente é passar dos três filmes de Aranha, o recorde de Sam Raimi e seu parceiro Tobey Maguire (e tanto ele quanto Andrew Garfield recebem suas homenagens aqui).

A sensação deste esquecível começo é que há vilões mais perigosos que Abutre em volta do jovem-Aranha. São roteiristas demais, uma direção muito obediente, a exigência do universo Vingadores. Há muitos percalços até dizermos que esse começo pode render um filme de verdade do Aranha, como vimos em Homem-Aranha 2. Esperemos que o foco dos criadores não esteja apenas em usar atores com diferentes tons de pele, gênero e etnia para agradar os justiceiros sociais, mas também em criar múltiplas dimensões para esses jovens.

★★★☆☆ Título original: Spider-Man: Homecoming. País de origem: USA. Ano 2017. Direção: Jon Watts. Roteiro: Jonathan Goldstein. John Francis Daley. Jon Watts. Christopher Ford. Chris McKenna. Erik Sommers. Stan Lee. Steve Ditko. Joe Simon. Elenco: Tom Holland (Peter Parker / Spider-Man). Michael Keaton (Adrian Toomes / Vulture). Robert Downey Jr. (Tony Stark / Iron Man). Marisa Tomei (May Parker). Jon Favreau (Happy Hogan). Gwyneth Paltrow (Pepper Potts). Zendaya (Michelle). Donald Glover (Aaron Davis). Jacob Batalon (Ned). Edição: Debbie Berman. Dan Lebental. Fotografia: Salvatore Totino. Trilha Sonora: Michael Giacchino. Duração: 133. Razão de aspecto: 1.33 : 1. Gênero: Action. Estreia no Brasil: 6 July 2017. Tags: cinema dublado

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