Homem-Aranha

2015/07/28

Construído como um clássico fortemente inspirado em Super-Homem de Richard Donner, o debut de Sam Raimi peca por imitação enquanto acerta em todo o resto. “Com grande poder vem grandes responsabilidades” diz menos sobre o garoto picado por uma aranha e mais sobre o homem que o dirige.

Lançado há mais de 13 anos, a estreia de super-heróis solos (antes houve os X-Men) veio com um formato ainda a ser polido. Porém, o drama dos personagens, esse que falta tanto hoje em dia, esse é o que mais faz sentido e o que é mais explorado. Uma pena, portanto, que os atores não estejam em sua melhor forma. Tobey Maguire é a persona corretíssima para o papel, mas apenas com sua cara de tolo e não para todo o resto (como o drama de ter perdido o tio em uma obra do destino). Kirsten Dunst é a namoradinha da América em uma versão toda errada, mas não se consegue encontrar humor em sua personalidade. James Franco, o pior ontem hoje e sempre, pelo menos cumpre seu papel de acordo: como apenas uma sombra de seu pai, Norman Osborn, um Willem Dafoe que comprou o espírito da coisa nos mesmos moldes do caricato Gene Hackman do primeiro homem-de-aço lá nos idos dos anos 80.

Todo início de herói é meio capenga, e esse não é diferente. Visto com empolgação pela primeira vez na telona, na revisão vemos que aquele efeito tão empolgante não passava de uma marca do passado já com data de fabricação (e validade). Pelo menos o dilema apresentado pelo Duende Verde, segurando duas coisas valiosas para nosso amigo da vizinhança Peter Parker, ainda é incômodo e faz pesar como deveria para alguém que aprendeu a duras penas que “com grande poder vem grandes responsabilidades”.

Homem-Aranha é um trabalho irregular e datado? OK, podemos chamá-lo assim. Da mesma forma foi com Super-Homem, e assim será com qualquer outro que precisar reabrir a caixa mágica de Pandora dos deuses modernos mais uma vez no Cinema. Talvez a caixa se feche frente à aparente inescapável falta de criatividade e esgotamento de fórmulas na bilheteria. Talvez Birdman não estivesse tão prepotente em suas discussões pseudo-filosóficas a respeito do valor da arte. Talvez. Por enquanto, vale a pena colocar uma manteiguinha nessa pipoca e lambuzar os óculos 3D. Nem que seja por um ou dois blockbusters anuais.

★★★★☆ Spider-Man. USA, 2002. Direction: Sam Raimi. Script: Stan Lee. Steve Ditko. David Koepp. Cast: Tobey Maguire. Willem Dafoe. Kirsten Dunst. James Franco. Cliff Robertson. Rosemary Harris. J.K. Simmons. Joe Manganiello. Gerry Becker. Edition: Arthur Coburn. Bob Murawski. Cinematography: Don Burgess. Soundtrack: Danny Elfman. Runtime: 121. Ratio: 1.85 : 1. Gender: Action. Category: movies

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