Hotel Transilvânia

Hotel Transilvânia é uma surpresa em animação e seus divertidos momentos. A direção transforma efeitos visuais competentes em sequências sempre interessantes, utilizando personagens cativantes construídos através do imaginário popular e não tão clichês quanto poderíamos esperar.

E apesar de tudo isso, o filme não passa de um engodo para criar uma franquia. Um fiapo de história que sobrevive pelo carisma de seus personagens e suas brincadeiras.

Criando uma premissa interessante com ideias que a suportem – o conde Drácula culpa a morte da esposa, um século atrás, pelo ódio e ignorância dos humanos; como consequência, super-protege a filha única e cria um negócio baseado nisso – Hotel Transilvânia consegue estabelecer seus elementos de maneira satisfatória, mas na hora de desenvolvê-los o peso de sua pouca complexidade o faz desabar. O terceiro ato apenas revela isso: a história por trás do filme não estava pronta para tanta “complexidade”.

E como consequência todo o resto desaba junto. Logo percebemos que não há muitos motivos para construir um hotel em que os monstros se protegem de humanos. Primeiro porque todos eles só ficam no hotel durante a temporada. Segundo porque, se eles não estão no hotel, deveriam estar em outro lugar. Esse lugar, se habitado por humanos, relevaria que eles hoje em dia são inofensivos e até fãs dos monstros. Se não estão em algum lugar habitado por humanos, há algumas peças faltando nesse quebra-cabeças.

Enfim, uma bobagem divertidinha, que pode divertir os mais desatentos, e decepcionar os mais cinéfilos.

★★☆☆☆ Wanderley Caloni, 2016-02-22 imdb