Independence Day: O Ressurgimento

2016/07/14

Mais um remake que uma continuação. Infestado de momentos, diálogos e situações idênticas ao original, “Independency Day: Resurgence” se rende à fórmula que o tornou uma das farofas mais divertidas e rentáveis da década de 90.

Porém, já não estamos mais na época dos cinemas de rua gigantescos, nem da inocência automática do espectador-família. Assisti ao original no finado Cine Marabá, em São Paulo, em uma de suas dezenas de fileiras, entorpecido pelo som surround e pela tela que tornava a imensidão das naves alienígenas intimidadora. Hoje a tela dos kinoplexes da vida torna tudo mais insípido, mas não tão insípido quanto efeitos digitais que carecem de vida, e lembram menos um ataque que possa de verdade acontecer (uma nave com o tamanho de um terço do planeta?? eles estacionam ela no oceano???) do que um video-game cartunesco. Bem, talvez o video-game hoje em dia pensaria bem mais no problema da verossimilhança…

Aliás, o diretor Rolland Emmerich parece cometer novamente o erro de mostrar a mesma nave com dimensões claramente diferentes em diferentes momentos do filme. O filme toda hora se esquece de física básica e passaria vergonha de um anime japonês futurista disposto a explorar o absurdo. Não há nada de errado em criar um universo absurdo, mas há tudo de errado em não aproveita-lo, mas apenas usa-lo como muleta narrativa de um roteiro preguiçoso, que é o que acontece aqui.

A história começa seus primeiros cinco minutos de forma promissora: vinte anos se passaram (de fato) desde a invasão do primeiro filme. Estamos em um 2016 alterado por causa da assimilação da tecnologia alienígena, a China agora é forte no panorama político, e o filme confia demais em nossa memória afetiva mostrando diferentes rostos supostamente conhecidos do primeiro filme, e como eles mudaram. Fora o fato de que continuamos uma raça estúpida a ponto de seus líderes terem feitos preparativos pífios de defesa, alguns detalhes sobre heroísmo que são particularmente confusos.

O agora ex-presidente (Bill Pullman) virou um velho debilitado com crédito zero, e não o herói do dia D, atribuído ao secretário de defesa ou o que o valha. Uma mulher, Hillary… Lanford (Sela Ward), está na presidência, o que é mostrado de maneira particularmente irritante, mas que se torna uma personagem sem o menor tempo de tela (este ainda é um mundo dos homens, mesmo que ela mande na cozinha da Casa Branca, como, aliás, mostra, a companhia (sexual) francesa do matemático maluco interpretado novamente por Jeff Goldblum, uma Charlotte Gainsbourg completamente desperdiçada.

Além disso, as únicas mentes brilhantes continuam sendo as mais velhas, enquanto os mais jovens, órfãos (vivemos uma guerra mundial, certo?) ou o filho da lenda Will Smith… quero dizer, do personagem bad ass que ele interpretou. Há dois momentos impactantes para mim, que revelam a mente doentia por trás desse projeto. Em dado momento alguém comenta que ser filho de um herói militar é praticamente fazer parte da realeza, e outro alguém mais tarde comenta meio que a grande “recompensa” da invasão de 96 foi o mundo agora estar mais unido que antes, o que supostamente faria valer todas aquelas vidas perdidas e que agora serviria de combustível para uma nova guerra intergaláctica.

E é claro que meu choque não foi essa visão, acertada aliás, a respeito do mundo governado pela figura do Estado, e do delírio de que um mundo destruído daquele jeito de reergueria em um mundo mais “unido”, mas pelo fato dessa visão estar sendo escancarada em um filme tão ruim de plot. Porém, sejamos honestos. Desde o primeiro filme, a ideia de uma raça alienígena socialista, que vive de destruir os recursos de outras raças ao redor do universo, e não de produzir sua própria riqueza, é algo genial demais para ficar nas mãos megalomaníacas do diretor Roland Emmerich.

No entanto, pode-se dizer o mesmo sobre apenas o planeta Terra.

(Aliás, Emmerich participou do roteiro original com Dean Devlin, e ambos fizeram um trabalho decente. Essa continuação aumentou a equipe em mais dois roteiristas, totalizando oito mãos completamente perdidas e que tentam a todo momento voltar para os momentos icônicos do original.)

★★☆☆☆ Independence Day: Resurgence. USA, 2016. Direction: Roland Emmerich. Script: Nicolas Wright. James A. Woods. Dean Devlin. Roland Emmerich. James Vanderbilt. Dean Devlin. Roland Emmerich. Nicolas Wright. James A. Woods. Cast: Liam Hemsworth. Jeff Goldblum. Jessie T. Usher. Bill Pullman. Maika Monroe. Sela Ward. William Fichtner. Judd Hirsch. Brent Spiner. Edition: Adam Wolfe. Cinematography: Markus Förderer. Soundtrack: Harald Kloser. Thomas Wanker. Runtime: 120. Ratio: 2.35 : 1. Gender: Action. Category: movies

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