Insubstituível

François Cluzet, depois de Intocáveis, drama bem-humorada com Omar Sy sobre um cadeirante aprendendo a viver (ele era o cadeirante), vive agora um médico que tem câncer, e que possivelmente será substituído em breve por uma bela novata (Marianne Denicourt). O filme de Thomas Lilti pretende explorar um pouco esse “lado negro” da medicina, onde médicos estão constantemente em estado de apreensão e preocupação pelos seus pacientes, mas aprendem também a manter distância. E essa mesma distância é mantida pelo personagem de François de sua colega, além dele tentar à sua maneira “proteger” seus pacientes da falta de experiência e jeito com eles. Os dois estão trabalhando em uma comunidade rural da França, onde o por-do-sol é belíssimo e onde há uma trilha sonora vibrante e bem-humorada. Mas nem por isso o filme deixa de ser um tanto “dark”, e sutil demais para que nos foquemos em algum dos dramas vividos pelos personagens. Parece mais um filme sobre o cotidiano dos pacientes e a visão de dois médicos sobre o que deve ser feito. Não nos preocupamos com o câncer assim como não nos lembramos muito bem que ele existe. Há uma gordurinha para tentar tornar isso presente, mas dessa vez François Cluzet e sua sutileza não ajudaram muito a tornar o filme perceptível para o grande público.

★★★☆☆ Wanderley Caloni, 2017-02-24 imdb