Interstella 5555

Wanderley Caloni, February 20, 2019

Eis um Interestelar que presta do começo ao fim. 5555 é uma experiência no mundo dos vídeo-clipes. Ele contém uma história narrada visualmente e embalada por um álbum inteiro, batida a batida. Ele é um arco completo, talvez melhor que a maioria dos filmes, e ainda tem algumas coisas a dizer sobre nossa sociedade e seus troféus. Este filme é praticamente gêmeo de Pink Floyd The Wall, 20 anos depois.

Esta é uma parceria entre a banda de techno formada por dois androides Draft Punk e o mangaká tecnófilo Hiroshi Kato e seu design visual atemporal que reimagina o álbum Discovery como uma viagem ao âmago da humanidade e sua música. A história é simples: gerente musical do mal sequestra bandas de todas as partes do universo para se tornarem ídolos na Terra. Ele transforma o visual dos alienígenas em algo palatável para os humanos, o que nos diz muita coisa também sobre nossa sociedade da moda e das aparências.

Essa é uma crítica social que não precisa ser ácida nem sutil: é a pura realidade mostrada sob a lente de um álbum que pode ser ouvido às cegas ou, agora, com esse filme. Ele é bem dirigido, possui rimas visuais e mesmo com as poucas expressões dos animes cria arquétipos que não precisam nem de apresentações nem de diálogos, o que favorece a música tocando, que se mantém sempre em ritmo com o que vemos na tela.

Não há personagens neste filme, apenas conceitos. E os conceitos falam por si só. A batida é uma imersão a uma possibilidade de mundos interagindo através talvez da única coisa que nos torna seres universais: a música e sua indissociável capacidade de se comunicar sem precisar verbalizar.

Imagens e créditos no IMDB.
Interstella 5555 ● Interstella 5555. Japão, França, 2003. Dirigido por Daisuke Nishio, Hirotoshi Rissen, Kazuhisa Takenouchi, Leiji Matsumoto, escrito por Thomas Bangalter, Cédric Hervet, Guy-Manuel De Homem-Christo. Direção de arte por Hiroshi Kato, trilha sonora por Daft Punk. ● Nota: 4/5. Categoria: movies. Publicado em 2019-02-20. Texto escrito por Wanderley Caloni.


Quer comentar?