Irmão Sol, Irmã Lua

| Wanderley Caloni

January 28, 2019

Este filme é uma descrição sincera e pura da epifania que São Francisco de Assis teve no momento-chave de sua vida. Mas se acompanharmos a história em todos os seus detalhes, você também poderá concluir que quando um maluco aleatório surgia nos tempos antigos alguns acreditavam ser um sábio, e a roda da história não consegue desprovar o que é provado por revelação. Então temos o seguinte dilema que Franco Zeffirelli nos entrega aqui: seria Francisco o cristão mais lúcido que já pisou nesta terra (com os pés descalços) ou o maluco mais bem-intencionado que já se teve notícia?

A produção é feita com atores simples, que atuam o mínimo necessário para a história seguir. Zeffirelli usa muito a aproximação nos atores com zoom, o que torna os atores um pouco melhores do que são. Mas Graham Faulkner como Francisco é uma revelação. Ele traz o elemento de perturbação de uma sociedade que já se havia entregue ao poder e ao dinheiro há muito tempo. No centro dessa perdição, jogando o bezerro de ouro no chão, ele se despe e assim despe a todos seus críticos.

O que torna esse filme tão poderoso é sua mensagem simples e direta: seja como Jesus. Abandone suas riquezas, pois elas não entrarão no reino dos céus. Busque ajudar ao próximo e viver no minimalismo. Muitos encontram essa mesma resposta hoje em dia, em pleno ápice da riqueza humana graças ao capitalismo. Francisco já tinha encontrado isso 800 anos atrás, onde a miséria imperava e ele dizia a todos: jogue mais coisas foras. Apenas o pão necessário nos basta.

Seu pai era um próspero fabricante de tecidos. Explorando duzentas pessoas que não viam a luz do sol, quando Francisco se livra de todo seu estoque e de sua própria roupa, vindo a vestir um saco rústico costurado como roupa, é de uma transformação tão poderosa que não há como não se encontar com tamanho idealismo. E isso em pleno inverno. Seus antigos amigos vão sendo convertidos um a um, porque aos poucos eles entendem que se realmente são cristãos a voz da razão está com Francisco. E isso muda toda a história.

Um exemplo de como o mundo pode ser transformado quando uma pessoa decide não se colocar contra todo mundo, mas viver a sua Verdade.

Imagens e créditos no IMDB.

Fratello sole, sorella luna. Reino Unido, Itália, 1972. Escrito por Suso Cecchi D'Amico, Charles Dyer, Kenneth Ross, Lina Wertmüller, Franco Zeffirelli e dirigido por Zeffirelli. Com Graham Faulkner como São Francisco de Assis, Judi Bowker como Clare, Leigh Lawson como Bernardo, Kenneth Cranham como Paulo, Alec Guinness como Papa Inocente III..