James e o Pêssego Gigante

Antes de qualquer ataque óbvio ao roteiro formulaico e os personagens caricatos e unidimensionais, é melhor avisar: se trata de um filme Disney. Ou seja, o mau é mau, o bom é bom e não há praticamente nada que fuja do bê-a-bá dos estúdios “da moral e dos bons costumes”. Dito isto, damo-nos por satisfeitos a inexistência de princesas e fadas.

Mesmo assim, o que torna James e o Pêssego Gigante um filme acima da média é logicamente esse efeito de viver com um pé na realidade e um pé na fantasia, pois mesmo que essa seja uma realidade Disney, não dá para negar que ela é necessária para essa dupla-fuga de James da casa de suas tias e da realidade que o cerca, da mesma forma com que não admitimos que Harry Potter continue passando sua infância vivendo debaixo da escada. É esse sentimento que se liberta na forma de uma animação que lembra stop-motion.

As interações entre os personagens, a leveza da diversão a bordo do pêssego gigante e o senso de liberdade desse road movie nas águas é um conjunto que funciona bem melhor que a própria ideia de punir as tias no terceiro ato.

★★★★☆ Wanderley Caloni, 2014-12-30 imdb