James e o Pêssego Gigante

Dec 30, 2014

Imagens

Antes de qualquer ataque óbvio ao roteiro formulaico e os personagens caricatos e unidimensionais, é melhor avisar: se trata de um filme Disney. Ou seja, o mau é mau, o bom é bom e não há praticamente nada que fuja do bê-a-bá dos estúdios “da moral e dos bons costumes”. Dito isto, damo-nos por satisfeitos a inexistência de princesas e fadas.

Mesmo assim, o que torna James e o Pêssego Gigante um filme acima da média é logicamente esse efeito de viver com um pé na realidade e um pé na fantasia, pois mesmo que essa seja uma realidade Disney, não dá para negar que ela é necessária para essa dupla-fuga de James da casa de suas tias e da realidade que o cerca, da mesma forma com que não admitimos que Harry Potter continue passando sua infância vivendo debaixo da escada. É esse sentimento que se liberta na forma de uma animação que lembra stop-motion.

As interações entre os personagens, a leveza da diversão a bordo do pêssego gigante e o senso de liberdade desse road movie nas águas é um conjunto que funciona bem melhor que a própria ideia de punir as tias no terceiro ato.

Wanderley Caloni, 2014-12-30. James e o Pêssego Gigante. James and the Giant Peach (UK, 1996). Dirigido por Henry Selick. Escrito por Roald Dahl, Karey Kirkpatrick, Jonathan Roberts, Steve Bloom. Com Simon Callow, Richard Dreyfuss, Jane Leeves, Joanna Lumley, Miriam Margolyes, Pete Postlethwaite, Susan Sarandon, Paul Terry, David Thewlis. IMDB.