Killa
Wanderley Caloni, 2016-12-04

Killa é um drama indiano de uma criança e se passa em uma cidadezinha, girando em torno das amizades do garoto na escola. É pesadamente regional, necessário ter um pouco de conhecimento dos costumes de lá, e o próprio drama é desenvolvido pelo diretor Avinash Arun de uma maneira hermética, quase impossível de tirar alguma moral, parecendo aqueles filmes que são sobre uma experiência sem maiores consequências. Felizmente, em seu terceiro ato, lá no finalzinho, ganhamos algo. O arco está cumprido.

A interpretação do pequeno Archit Deodhar, aliás, cabe perfeitamente aqui. Ele é um garoto introvertido, que consegue ser capaz de atos generosos – como salvar um cãozinho atormentado pelos meninos da vila – ou ao menos seus atos podem soar generosos vistos por alguém de fora (nós, espectadores). Quando um ato é o oposto disso, como dizer que a comida dos anfitriões cheira mal, todos estão presentes. Da mesma forma, seu personagem, Chinmay, é mimado e trata sua mãe como criada. Ela sequer tem um nome no filme, e é personificada pela atriz Amruta Subhash como uma sombra apagada.

O diretor Avinash Arun não parece ter muita pressa em estabelecer sobre o que a história se trata. O roteiro escrito a quatro mãos tampouco parece se decidir muito por um caminho simples. É possível entender o formato geral, de criança que perdeu o pai cedo e que muda de escola constantemente, de que não se esforça por fazer amizades, mas sabe construir uma linha de influências para que ele próprio fique em evidência (o que, para alguém vindo de uma cidade maior, não é algo difícil de fazer, nem lá na Índia, nem aqui no Brasil).

Mimado, manhoso, introvertido, autoritário e com nada em seu currículo que agrade ninguém, é um mistério por que seus amigos continuam sendo seus amigos. Quando um acontecimento deixa o garoto perturbado, é compreensível vindo de alguém tão egocêntrico, e é fácil entender por que finalmente seus amigos se distanciam (o que não explica o que acontece depois, exceto que crianças não ligam para essas bobagens).

Construído como um filme de experiências no estilo Conta Comigo, “Killa” é muito hermético para passar alguma experiência maior do que eventos que ocorrem com essa família que está temporariamente em um vilarejo. Não nos acostumamos com o garoto – que nunca entendemos – mas por algum motivo inexplicável – empatia? – entendemos quando um pequeno arco foi fechado logo no final do filme. Fica a sensação de um filme que acabou de começar… e terminou.

★★★☆☆ Killa. India. 2014. Direção: Avinash Arun. Roteiro: Tushar Paranjape, Upendra Sidhaye. Elenco: Amruta Subhash, Archit Deodhar (Chinmay), Parth Bhalerao (Bandya), Gaurish Gawade (Yuvraj), Atharva Upasni (Omkar), Swandand Raikar (Umesh), Shrikant Yadav (Mr.Nivte), Umesh Jagtap (Fisherman), Shivalati Bokil (Damle Aaji). Edição: Charu Shree Roy. Fotografia: Avinash Arun. Trilha Sonora: Naren Chandavarkar, Benedict Taylor. Duração: 78. Comedy. #netflix